Na entrevista histórica que concedeu à jornalista Mônica Bergamo, o ex-ministro José Dirceu também falou sobre sua convivência com Eduardo Cunha na prisão. Confira:

Ele é muito disciplinado. Dedica uma parte do tempo para ler a Bíblia, frequenta o culto. Conhece a Bíblia profundamente. E em outra parte do tempo se dedica a ler os processos.

É uma convivência normal. Vamos limpar os banheiros? Vamos. Vamos lavar os corrimões? Vamos.

Tem que limpar o xadrez todos os dias, lavar as portas e a galeria, para evitar doenças. Nós ficamos na sexta galeria, [que abriga] os presos da Lava Jato, Maria da Penha, advogados, empresários, alguns condenados por crimes sexuais. São 60 presos, separados dos 700 [do complexo penal].

Zé Dirceu conta como mulher de João Santana foi torturada para delatar Dilma

“O que fizeram com a Mônica foi terror psicológico. Colocaram ela na triagem de Piraquara, uma das piores penitenciárias do Paraná, totalmente dominada pelo crime. Colocar na triagem significa o seguinte: te colocam numa cela pequena, sem luz, sem nada. Te dão a comida pela bocuda. Sai para tomar banho dez minutos e volta. Em dois dias você faz delação, né?”, disse o ex-ministro José Dirceu, em mais um trecho de sua entrevista a Mônica Bergamo.

O ex-ministro também falou sobre João Santana. “Ele falou para mim depois, um pouco como desabafo, angustiado: ’Não tenho condição’. Preocupado, né? Porque as pessoas têm vergonha de fazer delação. Eu falei: ’João Santana, da minha parte você vai continuar tendo o meu respeito. Essa é uma questão de vocês’. Já os empresários têm as razões deles, salvar a empresa, o patrimônio, os empregos.”

Plantão Brasil