Está posta a insegurança que não dará aos envolvidos a condição do processo pedagógico adequado – Hedeson Alves ANPr

Sindicato que representa os professores da rede pública defende a suspensão do calendário em 2020

Ana Carolina Caldas – Brasil de Fato (Paraná)

E se um professor testar positivo para a COVID19? Ele será substituído? Seus alunos deverão ser testados? Ele terá atendimento médico disponibilizado pelo governo? O Governo garantirá os testes? Estas e outras perguntas ainda estão em aberto nas propostas de volta às aulas, tanto por parte do ensino privado como na rede pública.

Na semana passada, dia 30 de julho, a Secretaria Estadual de Educação (SEED PR) anunciou que as aulas presenciais, que foram suspensas em março devido à pandemia do coronavírus, poderão voltar no mês de setembro. Com o anúncio, o Comitê de “Volta às Aulas”, que reúne representantes do governo e da sociedade civil, apresentou um protocolo com uma série de medidas a serem tomadas para este retorno. Não há nenhum item que trate especificamente sobre a proteção de saúde dos professores e responda as questões acima.

O Protocolo para retorno das aulas presenciais apresentado trata de itens como orientação pedagógica, com as possibilidades de efetivar a modalidade de ensino híbrido ( online e presencial), distanciamento dentro da sala de aula e no pátio, escalonamento de alunos e professores, higienização de ambientes e transporte escolar, uso de álcool gel e EPis,  triagem de temperatura para alunos e professores, entre outros.

Quando protocolo trata da possibilidade de contaminação de alunos e professores, limita-se a dizer que “caso ocorra contaminação entre estudantes, a instituição deverá ser interditada por 14 dias, retornando para o modelo de aulas 100% on-line durante este período.” Não há mais nada que trate da proteção da saúde dos trabalhadores da escola.

Escolas particulares defendem retorno

A proposta da rede privada, assim como a do estado, também não apresenta itens que assegurem a proteção aos professores. Em entrevista para o Brasil de Fato Paraná, a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe), Esther Cristina Pereira, que há meses defende o retorno das aulas presenciais.

Aos ser indagada sobre o que se propõe em relação aos professores disse que “há protocolos como troca de sapatos e troca de roupas.” Ao ser indagada sobre as questões que envolvem o risco de contágio destes profissionais disse que “a doença está em todos os lugares. A escola não pode carregar sozinha o fardo da responsabilidade.”

Sindicato quer suspensão do calendário escolar em 2020.

Para o presidente da APP sindicato, que representa os professores da rede pública do Paraná, Professor Hermes Leão, “é completamente desastroso e desnecessário o debate de volta às aulas em setembro quando a curva de contágio do coronavírus está alta e com tendência a continuar crescendo. Defendemos que o governo suspenda o calendário de 2020 e a retomada deste debate aconteça quando houver segurança para a vida das pessoas envolvidas na comunidade escolar. “  De acordo com o sindicato, não foram apresentados indicadores sobre o controle da pandemia que apontem para a segurança do retorno das atividades em setembro e o retorno presencial nas escolas vai expor s cerca de 2,5 milhões de pessoas, entre alunos, professores e funcionários das redes pública e privada do Paraná.

Segundo a secretaria, a volta às aulas pode acontecer de modo regionalizado, nos locais em que a pandemia estiver controlada, de acordo com indicadores que serão formulados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). O boletim divulgado pela Sesa na quinta-feira (30) apontou que o Paraná tem 72.696 casos confirmados e 1.839 mortes.

Líder da oposição defende debate com a comunidade escolar

Na sessão remota da Assembleia Legislativa do Paraná desta segunda, 03/08, o líder da oposição, Deputado Professor Lemos (PT) disse que é preciso contar com a opinião de pais, alunos e professores. “Na resolução apresentada pelo Comitê de Volta às Aulas, os representantes dos estudantes, dos pais e professores da rede pública não assinaram por não concordarem com os termos. É preciso retomar este documento e debater, de fato, com os envolvidos que integram a nossa comunidade escolar”, disse.