Faleceu a ex-cônsul honorária do Uruguai para o Paraná e Santa Catarina, Leda Neli da Silva Pedrosa Borges

Faleceu na semana passada a ex-cônsul honorária do Uruguai para o Paraná e Santa Catarina, Leda Neli da Silva Pedrosa Borges, aos 94 anos de idade, de morte natural.
Moradora das imediações da Praça do Japão por várias decadas, Leda era conhecida por promover semanalmente almoços em seu apartamento com autoridades civis e militares, amigos e familiares.
Leda foi uma diplomata diferente. Cônsul honorária do Uruguai para o Paraná e Santa Catarina por várias decadas, todos os anos, na Data Nacional do Uruguai, ela buscava criança de família carente na Santa Casa de Paranaguá e auxiliava a família da criança nascida naquela data. Apoiava a educação de crianças pobres com material educativo, roupas e alimentos. Além dessa ação humanitária, Leda promovia almoços para reunir e confraternizar com os uruguaios residentes em nosso litoral.
Quem via aquela senhora sempre otimista, muito elegante e sofisticada, recebendo convidados ilustres em reuniões e almoços regados a champagne e caviar, jamais poderia imaginar sua história de coragem e derminação.
Nascida na cidade de Durazno no interior do Uruguai, em 08.09.1926, começou a trabalhar aos 16 anos para ajudar a mãe que, sozinha, trabalhando como costureira em Montevideo, criou 5 filhos, uma vez que o marido havia deixado a casa.
Trabalhando em uma fábrica de alimentos, Leda deixou o emprego para se candidatar a uma vaga no Ministério de Relações Exteriores do Uruguai. Mesmo sem ser de família rica ou ter “padrinho” no Ministério, Leda foi aprovada e contratada.
Depois de alguns anos trabalhando no Ministério e após estudar alemão, surgiu uma oportunidade para trabalhar como Secretária da Embaixada na então capital da Alemanha, Bonn. Na época, na Alemanha do pós-guerra, nenhum diplomata queria trabalhar na Alemanha porque havia muita pobreza. Derrotados na guerra os alemães faziam filas para comprar pão e não havia muitos produtos alimentícios. Mas nesse caso Leda vislumbrou uma oportunidade de ascender na carreira diplomática e decidiu aceitar o cargo. Foi transferida para Bonn ao lado do ex-marido Aldo Lale-Demoz, o “Aldo viejo”, um artista plástico uruguaio, com o qual teve os filhos, na Alemanha, Anabel e Aldo. Ambos seguiram carreira diplomática, a exemplo da mãe.
Foi uma época muito difícil. Na época os diplomatas ficavam muito tempo nos países onde serviam, depois a lei mudou e o tempo em cada país foi reduzido.
Naquele tempo era muito raro a existência de mulheres no corpo diplomático não apenas do Uruguai, mas em todo o mundo. Leda Neli da Silva foi uma das precursoras e escreveu seu nome na história da diplomacia.
Após 12 anos na Alemanha retornou em 1966 ao Uruguai e dois anos depois foi transferida para a Bélgica, onde teve papel de destaque em sua carreira ao assessorar e compartilhar trabalho com o então embaixador do Uruguai nas tratativas com representantes do Mercado Comum Europeu para exportações de carne uruguaia para o continente europeu. Trabalho muito reconhecido e elogiado pelas autoridades da época.
Depois de trabalhar na Bélgica onde ficou 5 anos, retornou ao Uruguai e foi designada em 1976 para Porto Alegre, no Brasil. Regressou ao Uruguai, voltou à Alemanha, para Hamburgo.
Estando em Porto Alegre divorciou do primeiro marido e alguns anos depois, em Hamburgo, conheceu aquele que viria a ser seu segundo marido, Joaquim Pedrosa Borges, filho de família tradicional curitibana, tesoureiro do então Instituto Brasileiro do Café em Nova Iorque, Líbano e Hamburgo.
Ao fechar o IBC em Hamburgo o casal Leda-Joaquim decidiu morar em Curitiba, onde a família de Joaquim já estava estabelecidade desde os tempos pós fundação da cidade.
Em Curitiba o casal participava ativamente das atividades do Corpo Consular e eventos em cidades litorâneas.