O Brasil está atrasando o debate sobre a regulamentações das armas automáticas de guerra, os chamados “robôs assassinos”. Com o encontro marcado para os dias 25 a 29 de agosto foi cancelado por causa de débitos, dos quais o Estado Brasil é 68% responsável.

O embaixador do Reino Unido na ONU em Genebra, Matthew Rowland escreveu um “apelo às Altas Partes Contratantes” que regularizem as débitos urgentemente. Sem verbas, o evento foi cancelado e, com sorte, acontece em novembro.

Os países signatários da Convenção sobre Armas Convencionais devem decidir se o uso de equipamentos artificiais feitos para matar são ou não legais. ONG’s como a Human Rights Watch acreditam que a nova corrida armamentista pode trazer danos sem controle e pedem a reprovação da iniciativa.

Para falar sobre o tema, o especialista em terrorismo global e colaborador da Escola de Guerra Naval, professor Ricardo Cabral. Ele argumenta que há pelos 10 anos, a tecnologia tem sido utilizada. A história começou com os “veículos aéreos não-tripulados”, os drones, para vigilância e reconhecimento, mas com o avanço da tecnologia, eles passaram a serem usados também para fins militares. Segundo o professor, entre 2008 a 2016, foram 10 mil ataques registrados por tais drones.

“Já se fala em drones marinhos, para pesquisa e também já para finalidades militares. Os robôs com braços dirigíveis não são novidade na área científica, mas eles já alcançam maior capacidade. Temos armas para estes veículos, o próprio Daesh diz que derrubou drones americanos. Essa tem sido a fronteira do desenvolvimento, aperfeiçoando rapidamente”,conta, mostrando o grau de avanço da área.

As tecnologias, afirma Cabral, têm como objetivo minimizar os risco em lugares perigosos. O problema é que já existem equipamentos completamente robóticos que são capazes de, sem autorização humana, identificar e eliminar o inimigo. É aqui que reside o debate da ONU e que causas divisões profundas mesmo na comunidade tecnológica. Gênio do Vale do Silício, o fundador da Tesla Elon Musk já declarou ter medo de até onde equipamentos assim podem chegar. Outros, como o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg são a favor.

“No campo de batalha, quem está do outro lado é seu inimigo”, diz o professor, se alinhando com as entidades que duvidam sobre a capacidade de julgamento em um robô ao derrubar um humano. “Uma regulamentação pode até acontecer, […] o uso militar está bem a frente em termos jurídicos, não há interesse hoje em dia se você está testando tecnologias, ter muitas amarras”, completa ponderando que um cenário de filme como “Exterminador do Futuro” pode ser realidade entre “cinco e dez anos”.

O Brasil informou ao portal Nexo que o pagamento “encontra-se em análise” e será realizado quando houver orçamento disponível. O país precisa quitar um débito de pouco mais de US$280 mil.

 

Sputnik Brasil