A pergunta acima teria sido feita pelo profeta Maomé há alguns milhares de anos, mas continua atual, considerando o mundo de trevas culturais em que vivemos.

Tudo indica que existem milhões de burros transportando livros de filosofia, e que se julgam filósofos, e como tal saem pelo mundo fazendo “burradas”, porque o fato de transportarem livros não os torna menos burros.

Na modernidade os livros são transportados via internet, nas ondas do rádio ou da televisão.

O grande escritor cristão Youssef Mousmar me contou em Curitiba que o imperador romano Constantino, por volta dos anos 300 depois de Cristo, estava em um impasse durante uma das grandes batalhas que travou com seu exército. Filho de mãe cristã, Constantino se divertia zombando do cristianismo durante toda a vida, mas ao se deparar com um exército superior, no campo de batalha, teria se ajoelhado e orado ao Deus de sua mãe, prometendo que se vencesse aquela guerra se transformaria em cristão e deixaria de perseguir os cristãos. Ele venceu a batalha e fez um decreto instituíndo o cristianismo como religião oficial do império romano, isto é, do ocidente. Os cristãos tradicionais, aqueles perseguidos, protestaram afirmando que não se cria cristãos por decreto, e que para ser cristão a pessoa deveria ser íntegra, honesta, honrada, justa e humilde. Isto é, os burros que transportavam livros não poderiam ser filósofos. Por isso hoje temos cristãos racistas, violentos, extremistas, corruptos etc.

Agora voltamos à guerra na Síria e Iraque, onde terroristas que se dizem muçulmanos, os membros do Estado Islâmico (Isis ou Daesh), financiados pelo Reino da Arábia Saudita, promovem massacres e atentados em diversos países. O profeta Maomé, que revelou o Islamismo, teria dito: “aquele que mata um ser humano está matando toda a humanidade”. Mas os burros que transportam livros continuam acreditando que se transformaram em filósofos, e fazem outra leitura do Islamismo, que não tem nada a ver como o original, e pensam que matar inocentes vai abrir-lhes as portas do céu.

Quantas religiões hoje se transformaram em comércio? Quantos vendilhões do templo fazem fortunas? Quantos burros que transportam livros se creem filósofos?

“Os profetas estão mortos. Mataram-nos seus seguidores”, escreveu Nietzsche, um verdadeiro filósofo.

 

José Gil