O Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas foi comemorado ontem, mas o Brasil não tem muito o que comemorar, sendo destino de um fluxo crescente de mulheres venezuelanas trazidas para cá com o objetivo de exploração sexual. Afinal, o que o país precisa fazer para combater esse problema de maneira mais efetiva?

Sputnik Brasil – Com uma profunda crise econômica que vem afetando o país há anos, a Venezuela tem visto um acentuado fluxo migratório de seus cidadãos para vários países vizinhos. Em situações de miséria e desespero, muitos desses migrantes acabam enfrentando uma série de dificuldades, de diferentes tipos, ao longo dessa empreitada, e, por vezes, o sonho de uma vida melhor em outro lugar acaba se tornando o pior dos pesadelos.

Entre as mulheres venezuelanas que tentam escapar dos problemas em sua terra natal, uma parcela significativa delas se vê frequentemente aliciada por redes criminosas que, aproveitando de sua situação de fragilidade, as recruta para fins de exploração sexual, em países como Trinidad e Tobago, Colômbia e Brasil. Iludidas com promessas de trabalho ou garantia de alimentação, elas se tornam alvos fáceis para esses bandidos oportunistas. Só em Roraima, estado brasileiro que serve como principal porta de entrada para imigrantes venezuelanos, casos como esses já aumentaram 30% desde o começo deste ano, segundo a Polícia Civil.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Érica Kaefer, coordenadora de projetos da representação para o Brasil da Organização Internacional Para as Migrações (OIM), explica que tanto os instrumentos internacionais como a legislação brasileira preveem diferentes tipos de atividades relacionadas ao tráfico de pessoas que podem ser enquadradas como crime, desde trabalhos forçados à remoção de órgãos. Em comum, todas passam pelo recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por diversos meios — como ameaça ou fraude — para fins de exploração. Segundo a especialista, é bastante comum, ao se pensar sobre esse tipo de violação, imaginar os recrutadores como indivíduos pertencentes a uma grande máfia ou organização internacional. Mas a verdade é que, em grande parte das ocorrências, há pessoas muito próximas das vítimas envolvidas, incluindo membros da família.

No caso do Brasil, Kaefer destaca que essa questão do tráfico de pessoas é um problema grave tanto no que se refere a crimes transnacionais quanto a delitos internos.

“Quando se pensa em tráfico, se pensa sempre em tráfico internacional de pessoas, mas o tráfico também pode ser dentro do mesmo país. Inclusive, é uma realidade no contexto do Brasil”, disse ela.

De acordo com a representante da OIM, a prevalência do tráfico internacional de pessoas é muito difícil de ser medida, devido a subnotificações e insuficiência de dados, mas é possível afirmar que ele ocorre em todas as regiões e em todos os países do mundo. Entretanto, determinados fatores associados podem contribuir significativamente para uma intensidade maior ou menor desse tipo de prática.

“Países que estão enfrentando uma situação de extrema pobreza, desigualdade, violência, desigualdade de gênero ou até mesmo crises, de migração forçada, desastres ambientais, esse tipo de situação pode acentuar ainda mais a vulnerabilidade daquelas pessoas, migrantes ou não.”

……………………………………….

NR – O que a imprensa canalha não publica é que na raiz de toda a crise econômica na Venezuela estão as sanções e bloqueios dos EUA, interessados em derrotar o governo atual para colocar no lugar um fantoche dos interesses criminosos estadunidenses, uma vez que a Venezuela tem as maiores reservas de gás, petróleo e ouro no mundo.