Grupos antifascistas se uniram em ato contra o governo Bolsonaro. Foto: Júlio Carignano

Rivais dentro de campo, atleticanos, coxa-brancas e paranistas se uniram no time da luta contra o fascismo

Grupos antifascistas se reuniram domingo passado na Praça Santos Andrade, em Curitiba, para um ato a favor da democracia e contra as arbitrariedades do governo Jair Bolsonaro. Organizado pelo movimento ‘Somos Democracia’ e pela Associação Nacional de Torcidas Organizadas (Anatorg), a mobilização reuniu militantes de movimentos sociais, de partidos de esquerda e torcedores do Atlético Paranaense, Coritiba e Paraná Clube.

Faixas e bandeiras de torcidas e coletivos antifascistas do ‘Trio de Ferro’ foram estendidas nas escadarias do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Estamos aqui por causa de um presidente fascista que despreza vidas. Estamos aqui lutando para cuidar de nossas famílias. Estamos aqui, tomando os cuidados, mas arriscando nossa saúde, para cobrar mais respeito, saúde e segurança para o povo brasileiro”, disse Luiz Cado, integrante do movimento CoxaComunas.

Reivindicações de torcedores, como fim da perseguição as organizadas e por um futebol que não exclua as camadas mais pobres da população, também foram trazidas ao ato. “Trazemos a ideologia para dentro da torcida para discutir coisas que nos atacam enquanto organização. O candidato que se elegeu com a plataforma de acabar com as torcidas organizadas no Brasil, que tem um projeto de lei sobre isso, chama-se Major Olimpio [deputado do PSL-SP]. Ele é um dos principais apoiadores do Bolsonaro”, lembrou Luis Fischer, do coletivo Atleticanhotos.

Thiago Marcilio, do coletivo paranista Gralha Marx, criticou o futebol moderno. “Nós do Gralha Marx estamos aqui pra dizer que não precisamos deste futebol moderno. Não precisamos deste futebol que expulsa o torcedor de verdade do estádio. Defendemos um futebol com um ingresso barato, acessível ao trabalhador”, disse o torcedor tricolor.

Felipe Pepê, do coletivo CAP Antifa, recordou que um ato organizado no dia 31 de maio – quando uma carreata bolsonarista foi barrada por grupos antifascistas em Curitiba – foi o pontapé inicial para um movimento de união de torcedores por um bem comum. “Sem povo nas ruas nada vai mudar. Temos que trazer para nossa luta pessoas que não aguentam mais as arbitrariedades deste governo, o genocídio deste governo fascista”, conclamou o atleticano.

A mobilização em Curitiba também contou com a presença de Danilo Pássaro, líder do movimento Somos Democracia e membro da torcida Gaviões da Fiel, em São Paulo. “É necessário estarmos em constante mobilização. É simbólico estarmos hoje aqui, naquela que é considerada a capital reacionária deste país. Precisamos construir uma democracia de fato; com torcedores, movimentos sociais e trabalhadores”, afirmou Pássaro.