Fernando Brito – Tijolaço

Não é uma acaso infeliz ou inabilidade o decreto de Wilson Witzel que retira das estatísticas as mortes provocadas por ações policiais do sistema de definição e gerenciamento de metas para os indicadores de criminalidade, publicado hoje no Diário Oficial.

É uma declaração – não-legal, mas imoral – de que as mortes provocadas por policiais não são mais consideradas crimes.

Witzel “antecipa” Sergio Moro na descriminizalição da violência policial.

Em O Globo:

O texto divulgado hoje altera outro decreto, de 2009, que define o formato do sistema de metas do estado na área de segurança pública. A última modificação da norma havia sido feita em 2016, quando os “homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial” substituíram os “autos de resistência” no texto. Agora, apenas latrocínios, homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte integram o índice de letalidade violenta. As mortes cometidas por agentes do estado não serão mais contabilizadas para o indicador.

Entenda, então: a pequena Ágatha, o músico e o catador de papelão não são mais mortos da violência nem mesmo nas estatísticas.

Eles não existem para Witzel e o Governo do Rio de Janeiro.