Fernando Brito – Tijolaço

O presidente do Supremo Tribunal Federal anulou, esta madrugada, o encaminhamento dado pelo candidato de Ônyx Lorenzoni para a eleição do Senado, que iria permitir a eleição “tranquila” de Davi Acolumbre, o brucutu que presidiu a deprimente sessão de ontem da Casa.

Não podia haver outro resultado, porque foi um escândalo o que se passou: um candidato definindo as regras de uma eleição que ele iria “disputar”.

Tão arbitrário que mandou trancar o plenário do Senado para evitar que aquele que deveria presidir a sessão – o senador mais idoso, José Maranhão, como determinou o STF – se sentasse na cadeira de presidente, como registra a Folha.

Em nome de uma suposta “transparência” empurrava-se os senadores – a maioria de estreantes na casa – a escolher um atrabiliário para presidir o Senado e garantir o controle absoluto da casa pelo governismo.

O que não está descartado, porque a leva de senadores que se elegeu em outubro é, em grande parte, afinada com a onda reacionária que se abateu sobre o Brasil.

Mesmo que sejam maioria – ou quase – o que se pretendia era outra coisa: a aniquilação de todas as forças que se opunham ao atual governo, pela abolição do curso normal das escolhas políticas daquela Casa, estabelecendo uma ditadura legislativa.

Recomenda-se aos “moralistas” que se dizem de esquerda que reflitam sobre o que é entregar o controle absoluto do Senado a um candidato que, por inexpressivo, tudo deve ao apoio do governo Bolsonaro.