Na sessão plenária desta segunda-feira (13), o deputado estadual Soldado
Fruet (PROS) questionou o possível conflito de interesses do novo
diretor de Operação e Manutenção da Copel Geração e Transmissão S/A,
Carlos Frederico Pontual Moraes, com os negócios da energética. Em
reunião no último dia 10 de setembro, o Comitê de Indicação e Avaliação
da Copel aprovou o nome dele para o cargo, mas o parlamentar destacou
que uma simples consulta revela que Moraes é sócio de 14 empresas no
ramo de energia, dentre elas Goyaz Transmissão de Energia, Borborema
Transmissão de Energia, São Francisco Transmissão de Energia e Solaris.

“Em caso semelhante, após denúncia do Sindicato dos Engenheiros, o
gerente de compliance da empresa disse que um engenheiro sequer poderia
prestar serviço ou ser proprietário de qualquer empresa de engenharia
com atividades correlatas às executadas pela Copel. Que diremos de ser
proprietário de 14 empresas com atividades correlatas?”, indagou o
Soldado Fruet. “No meu entendimento, pessoas sócias de empresas do mesmo
ramo da Copel não poderiam ser diretores da Copel, pois em um ou outro
momento, os interesses serão conflitantes ou interessantes”, disse.
Segundo ele, “a Copel é do povo paranaense e não é justo que o povo
pague por erros estratégicos ou por pura maldade por parte do Governo,
que é o acionista que indica os diretores”.

O Líder do PROS na Assembleia Legislativa citou ainda que Carlos
Frederico é sócio de Marcos Paulo Reis Tanure. “Espero que seja mais uma
coincidência de sobrenomes e o senhor Marco Paulo nada tenha a ver com o
senhor Nelson Tanure, sócio do fundo Bourdeaux e comprador da Copel
Telecom”, comentou, ressaltando que coincidências de sobrenomes também o
levaram a pedir informações, há quase um ano, sobre a compra da usina de
energia solar Bandeirantes pela Copel, pois o diretor da Copel Geração e
Transmissão à época tinha o mesmo sobrenome de um dos sócios da Usina
Bandeirantes e, posteriormente, após denúncias, pediu demissão.

O Soldado Fruet questionou detalhes da compra porque a usina gera menos
de um milésimo da produção da Copel e nenhum fato relevante foi
divulgado ao mercado. “Ninguém sabe quanto custou aos cofres da Copel,
que, no final das contas, é paga por cada cidadão e empresa paranaense”,
apontou, lamentando não ter recebido nenhuma resposta da Copel, “o que
me leva a crer que as coisas não eram tão transparentes como deveriam
ser”. No atual cenário de crise energética, o parlamentar perguntou:
“Será que não correríamos menos risco de faltar energia se a Copel
passasse a investir melhor? Usinas como a Bandeirantes são bons
investimentos para a Copel ou para quem a vendeu?”.

O deputado estranhou que, informalmente, a diretoria da Copel afirmou
ter respondido ao seu questionamento a respeito da compra da Usina
Bandeirantes, porém, na Casa Civil, o protocolo foi renumerado e a
resposta alterada para informar que a Copel não se sujeita à legislação
e não há necessidade de responder a um deputado. “Esconder a resposta
foi bem pior do que responder à pergunta, pois a dúvida ficou ainda mais
intensa. O medo de responder demonstrou que havia, sim, algo a
esconder”, declarou.

(Foto: Assessoria)