O Governo do Estado realizou nesta quinta-feira, em Maringá, a quarta reunião pública de trabalho sobre o novo ciclo de concessão rodoviária que deve acontecer no Paraná a partir de 2021. “Estamos promovendo debates para definir um novo modelo de concessão. A sociedade deve ser ativa, protagonista na definição do pedágio, porque isso impacta na vida das pessoas e na economia do Estado”, afirmou a governadora Cida Borghetti, que participou do encontro, junto com lideranças de Maringá e de região.

“Estamos construindo esse novo modelo através do diálogo com a sociedade. Prioritariamente, queremos 50% a menos na tarifa do que é pago hoje”, disse Cida. Esta foi a quarta reunião realizada pelo Governo do Estado. Os primeiros foram em Cascavel, Londrina e Ponta Grossa. Nesta sexta-feira (10), o evento acontece em Curitiba. “Nestas reuniões, ouço profissionais de diversas áreas, lideranças locais, pessoas da comunidade. Em cada audiência formamos grupos de trabalho, que elaboram proposta, com argumentação e comentário, para cada região do Paraná. De forma que, juntos, definiremos quanto queremos pagar de pedágio, quais as obras necessárias para cada região”, explicou.

Em maio, o Governo do Estado solicitou ao Ministério dos Transportes uma nova delegação das rodovias federais que formam o Anel de Integração. No dia 11 de junho, o Estado notificou as seis concessionárias de pedágio para iniciar os processos de finalização dos contratos, que acabam em 2021. “Pedimos a renovação da delegação para discutir o assunto do pedágio aqui, porque nós paranaenses é que conhecemos as nossas reais necessidades. Estamos confiantes de que esse novo modelo vai beneficiar a população e fazer com que a justiça tarifária possa ser a referência e o ponto focal deste modelo”, afirmou.

O secretário de Infraestrutura e Logística, Abelardo Lupion, explicou que está sendo feito trabalho em três comissões, de dentro do governo: uma que trata da delegação do governo federal para o Paraná; outro para encerramento dos atuais contratos, e outro que ouve a sociedade para obter propostas e saber o que ela espera para o futuro. “Estamos hoje em uma situação em que as pessoas consideram o pedágio caro, mas não sabem a razão. Precisamos modernizar o Paraná e fazer um pedágio barato e estradas extremamente bem conservadas. É isso que esperamos para o Estado”, afirmou

PESQUISA – Antes de fazer o anúncio sobre o encerramento dos atuais contratos, informou o secretário do Desenvolvimento Urbano, Sílvio Barros, o governo fez uma pesquisa que ouviu 10 mil paranaenses sobre o pedágio. “Dez mil pessoas foram ouvidas no Paraná inteiro, com 18 perguntas sobre o pedágio, antes de se tomar a decisão do que está sendo feito”, explicou. “O assunto não é simples e se não começarmos isso agora não vamos conseguir terminar tudo que tem que ser feito, na qualidade que queremos e com a oportunidade de ouvir a população dentro do prazo do fim da concessão”, disse ele.

FAZ A DIFERENÇA – Para a advogada Angélica Marçola, a iniciativa do Governo do Estado significa respeito com a sociedade. “Quando a gente ouve os anseios da população fica mais fácil ter o apoio na hora de implementar a política pública. Isso faz a diferença”, disse ela. “O debate sobre o novo modelo de concessão é imprescindível. As pessoas não reclamam de pagar pedágio, mas querem receber em troca um serviço justo”, afirmou.

“É inegável que a concessão das rodovias é muito importantes e que é uma questão que precisa ser discutida de forma transparente com toda a sociedade”, disse o presidente da Amusep, André Luiz Bovo, prefeito de São Jorge do Ivaí. “É um processo de transparência discutir com a comunidade o que é melhor, qual a melhor tarifa e todos os ajustes signatários dos contratos de concessão”, afirmou.

A presidente da Sociedade Rural de Maringá, Maria Iraclézia de Araújo, destacou a importância da infraestrutura para o setor do agronegócio, o impacto sobre o custo de produção e a competitividade do setor. “Com esta iniciativa, o Governo do Estado faz a sua parte”, afirmou ela. Já o prefeito de Sarandi, Walter Volpato, afirmou que o debate vem atender a um anseio dos municípios e da população. “A população é que conhece as necessidades locais”, disse ele.

GRUPO DE TRABALHO – Na abertura da primeira reunião, foi exibido um vídeo explicando o histórico das concessões (passado, presente e o que se planeja para o futuro). Após as explanações iniciais, foi formado grupo de trabalho para discutir questões que nortearão as propostas futuras. São cinco questões: qual seria um preço justo para o pedágio; quais as obras necessárias para a região; quais serviços as concessionárias deveriam oferecer; qual o modelo ideal de cobrança de pedágio e quais novos trechos de rodovias poderiam ser objeto de concessão. Todas as respostas, de todos os encontros, serão consideradas no momento da elaboração do projeto.