Brasil 247 – O jornalista Elio Gaspari avalia, em artigo publicado nesta quarta-feira, que o policial Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), comete suicídio ao não esclarecer as transações que o colocam como suspeito de ser um espécie de arrecadador de recursos e pagador de despesas paralelas da família Bolsonaro. “O silêncio de Queiroz pode ser eficaz para quem olha para o tempo político. É suicídio porque esse tempo nada tem a ver com o do Ministério Público. Os procuradores não têm pressa, têm perguntas. Se ele movia tanto dinheiro porque transacionava com mercadorias, deverá dizer de quem as comprava e para quem as vendia”, diz ele.

“A esperança de que Queiroz passe pelo Ministério Público administrando um silêncio seletivo é suicida. Peixes grandes como Marcelo Odebrecht e Antônio Palocci tiveram a mesma ilusão. Queiroz é um lambari, sua movimentação financeira não compraria um dos relógios com que as empreiteiras mimavam maganos”, afirma ainda o jornalista.  “Contudo, sua trajetória e seu silêncio são ilustrativos do que vem junto com a “cultura da violência”. Ele foi da PM para um gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, empregou parentes e tem a confiança da Primeira Família da República, cujo chefe elegeu-se presidente com uma plataforma moralista e justiceira.”