Reportagem de Fabrício Lobel na Folha de S.Paulo informa que, três dias após o desastre de Brumadinho (MG), cresce a pressão para a abertura de inquéritos que visam responsabilizar criminalmente os executivos da Vale. Para especialistas ouvidos pela Folha, além de indenizações e multas, os danos causados pela tragédia podem levar a um processo penal ainda mais sério, com a implicação de executivos por homicídio com dolo eventual.

De acordo com a publicação, se, por um lado, um relator especial da ONU afirmou que o caso Brumadinho deve ser tratado como crime, por outro, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge (no topo do Ministério Público no país) aumentou o tom de seu discurso e falou que executivos da mineradora podem ser processados individualmente por suas responsabilidades na tragédia. A fala adotada por Dodge é nitidamente mais firme do que o pronunciamento feito à imprensa em Brumadinho, quando evitou falar em crimes e disse que ainda era prematuro identificar os responsáveis.

Nesta segunda, Dodge disse que o Ministério Público atuará nas esferas administrativa, civil e criminal. “É preciso responsabilizar severamente, do ponto de vista indenizatório, a empresa que deu causa a este desastre e também promover a persecução penal”, declarou à imprensa após um evento em São Paulo. Dodge disse ainda que, junto com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Dias Toffoli, buscaria que a responsabilização dos infratores fosse a prioridade da Justiça, completa a Folha.

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