Viomundo – A mídia brasileira está excitadíssima. A Globo e seus satélites, ou seja, as emissoras que vivem à sombra da Vênus Platinada, estão próximas de um orgasmo, que resultaria na queda de Nicolas Maduro.

O mesmo pode ser dito dos principais jornais brasileiros.

Como se fossem agentes do Mossad e da CIA ao mesmo tempo, eles reproduzem informações unilaterais e fantasiosas com a assinatura de… Donald Trump.

Trump que nega o aquecimento global, Trump que fala impropérios sobre negros, feministas e pessoas especiais… de repente o presidente dos Estados Unidos se transforma num anjo diante da Venezuela.

A cobertura é unilateral e caricatural, sem qualquer tipo de questionamento.

Por que a Cruz Vermelha não está participando da entrega de “ajuda humanitária” à força?

Por que a ONU não está participando da entrega de “ajuda humanitária” à força?

Por que a “ajuda humanitária” não é entregue ao Haiti?

E o congelamento de bens da Venezuela? A apreensão de ouro? O boicote que aprofundou a crise econômica?

Até a inflação é usada como argumento para derrubar Maduro — mas e o presidente José Sarney, no Brasil dos anos 80, os EUA não pensaram em derrubá-lo por causa da inflação?

Longe de nós a ideia de que a Venezuela é um paraíso.

Muitos chavistas históricos, aliás, se afastaram de Nicolas Maduro.

O chavismo, mesmo o de Hugo Chávez, fracassou na prometida industrialização da Venezuela para se livrar da dependência do preço internacional do petróleo.

Porém, os muitos problemas da Venezuela não serão resolvidos à bala.

Maduro só cai se houver um forte movimento contra ele dentro das Forças Armadas — que é justamente o que a propaganda da CIA está tentando conseguir, com sua guerra psicológica pelas redes sociais.

O interesse dos Estados Unidos foi explicitado pelo secretário de Estado Mike Pompeo, em discurso na Flórida: derrubar os governos da Venezuela, da Nicarágua e de Cuba.

Trata-se de uma guerra puramente ideológica, que nem os militares a serviço do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro abraçam.

Quando um general brasileiro foi indicado para integrar o Comando Sul dos Estados Unidos, pelo almirante Craig Faller, em discurso ao Senado dos Estados Unidos, o militar norte-americano deixou claro que enfrentar a influência da China, da Rússia e do Irã na região era um de seus objetivos.

Mas… a China é o principal parceiro comercial do Brasil. E a Rússia faz parte dos BRICs, um grupo criado com a intenção de reduzir a unipolaridade do planeta.

Portanto, vale mesmo a pena se aliar incondicionalmente aos Estados Unidos na “reconquista” de seu quintal?

Quantos por cento do petróleo venezuelano, a maior reserva do planeta, o Brasil vai levar se Washington se apossar do butim?

Estas questões não passam nem perto do noticiário.

Que não questiona a lenda da extrema-direita, espalhada por fake news na internet, segundo a qual o Hezbollah tem uma base oculta na Venezuela.

Só falta dizer que o Maduro casou com uma noiva de 8 anos de idade!

“O ditador carniceiro da Venezuela está negando comida a seus cidadãos e temos a obrigação de forçá-lo a se render”, este é o script da mídia brasileira, em consonância com a mídia dita “ocidental”.

Alguém aí já ouvir falar em guerra por recursos?

Pois é, é por isso que as toneladas de ajuda estão nas fronteiras da Venezuela e não no Haiti. E é por isso que o Mossad e a CIA se uniram — e já faz tempo — em sua guerra permanente de propaganda.

Quando Salvador Allende foi derrubado no Chile, em 11 de setembro de 1973, ninguém tinha ideia da extensão exata do envolvimento dos Estados Unidos.

Foram décadas para vir a público que a CIA organizou a “greve dos caminhoneiros”– na verdade foi um locaute patronal –, ajudou a formar uma “frente” política contra o governo socialista e “comprou” o diário El Mercurio, o principal do país, para espalhar as mentiras fabricadas em Washington contra Allende.

Se Maduro cair, como lembrou John Pilger, será o sexagésimo oitavo governo derrubado pelos Estados Unidos. Usando variações da mesma tática, tendo como pilar central a mentira.