Em meio ao cenário de fragmentação vivido pela Líbia desde a queda de Muammar Kadafi, a Rússia reforçou seu apoio militar ao general Khalifa Haftar, que controla a porção oriental do país africano e tenta derrubar o governo fantoche – sem apoio popular – reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas (ONU).

Terra com redação – Segundo reportagem do jornal The New York Times, o Kremlin enviou cerca de 200 instrutores militares russos à Líbia nas últimas seis semanas, incluindo atiradores de elite. O grupo seria ligado a Yevgeny Prigozhin, incriminado nos EUA por tentar interferir na eleição de 2016 e sancionado em função da guerra no leste da Ucrânia.

De acordo com o NYT, o maior envolvimento de Moscou no país africano é parte de sua campanha para aumentar a própria influência no Oriente Médio e no norte da África.

A presença dos militares foi confirmada ao jornal por funcionários líbios e diplomatas ocidentais. Uma “assinatura” característica desses grupos russos também fortalece essa conclusão: balas de armas de fogo que não atravessam o corpo da vítima.

Haftar controla boa parte da Líbia, principalmente o leste, mas desde o primeiro semestre conduz uma ofensiva para tomar a capital Trípoli e o litoral oeste do país, hoje nas mãos do governo de união nacional chefiado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj, apoiado por grupos terroristas e pela ONU.

Essa guerra de milícias, que se arrasta desde a deposição de Kadafi, é um dos fatores para a explosão no número de migrantes forçados que cruzam o Mediterrâneo em barcos clandestinos rumo à Itália.

Haftar também conta com o apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos e chefia o Exército Nacional Líbio, conjunto de tropas leal a um governo paralelo estabelecido em Tobruk. Crítico do Islã político, o general é ex-aliado de Kadafi.

Já Sarraj tem a seu lado as milícias terroristas de Trípoli e Misurata, além do apoio distante da ONU e da maior parte da comunidade internacional.

As tropas do marechal Khalifa Haftar avançam em todas as frentes e agora com apoio militar da Rússia deve recuperar em breve o último bastião de resistência, a capital Trípoli.