Blog do Esmael

O ex-senador e ex-governador Roberto Requião (sem partido), pelo Twitter, cobrou uma posição do suspeito ex-juiz Sergio Moro (Podemos) sobre a “mexida” do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), para supostamente aliviar investigação em escândalo de corrupção envolvendo o prefeito do município de Umuarama, Celso Pozzobom (PSC), no Noroeste do estado.

“Todos nós aguardamos a opinião do Sérgio Moro sobre esta divulgada “mexida do rato”?”, cobrou Requião nesta quinta-feira (13/01), se referindo ao esquema de desvio de R$ 19 milhões na Prefeitura de Umuarama.

Segundo grampo telefônico do Ministério Público, o governador do Paraná ofereceu ajuda a aliado investigado por corrupção. A informação em primeira mão foi da jornalista Amanda Audi no The Brazilian Report [em inglês, mas abaixo o Blog do Esmael publica a íntegra em português].

De acordo com a reportagem de Amanda Audi, a escuta telefônica capturou Celso Pozzobom – suspenso de suas funções como prefeito da cidade de Umuarama – dizendo a Ratinho Jr. que sabia que o governador estava “agitando as coisas” para ajudar em seu caso. Duas pessoas identificadas como secretários de Infraestrutura [Sandro Alex] e Desenvolvimento Urbano do estado [João Carlos Ortega] também são mencionadas na conversa, que ocorreu em 25 de outubro do ano passado.

“O Marcio tinha me falado já, governador, e o Sandro Alex também, que o senhor tava preocupado com a situação aí e tava vendo o que o senhor poderia fazer… O senhor taria dando uma… mexida aí pra gente”, disse Celso Pozzobom, segundo revelado pelo Brazilian Report.

Pozzobom agradece a preocupação e ouve do governador que ele “está às ordens”, e que conte com ele.

“Mas eu tô à disposição, qualquer hora que você vier pra Curitiba, tomar um café, tô às ordens, mas vamos tentar resolver isso aí o quanto antes”, responde o governador do estado.

Embora o governador tenha sido exigido de seu adversário principal, Ratinho Junior minimizou sua conversa capturada no grampo telefônico afirmando que as conversas em questão constituíram “um telefonema habitual de um governador do estado para um prefeito suspenso”.

“Como republicano, cabe a [Ratinho Jr.] lidar com todos os prefeitos e ex-prefeitos do município paranaense. Além disso, é de conhecimento público o bom relacionamento entre o governador e o prefeito Celso Pozzobom, da mesma forma que o governador mantém relações cordiais com vários políticos do estado”, respondeu em nota o Governo do Paraná.

Horrorizado com o vazamento da escuta telefônica, Requião disse que não se convenceu da explicação de Ratinho Jr. e por isso ele cobrou de Moro –aliado do governador paranaense– uma opinião sobre o escândalo de corrupção.

O ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato a presidente pelo Podemos, entrou nas “orações” do governador Ratinho Junior desde que este prometeu apoiar a reeleição de Alvaro Dias (Podemos) para o Senado. Em virtude disso, o Palácio Iguaçu suspeita que tem o dedo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) nesse vazamento de grampo.

Quanto ao prefeito investigado e afastado do cargo, Celso Pozzobom, ele é do PSC –antigo partido de Ratinho Junior. O processo de impeachment do mandatário umuaramense está parado na Câmara de Vereadores por falta de interesse político.

Juristas ouvidos pelo Blog do Esmael apontam possível cometimento pelo governador e dois secretários de Estado de crime de obstrução à Justiça, previsto no artigo 2º, parágrafo 1º, da Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013).