Fernando Brito – Tijolaço

O Banco de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, voltou a registrar números alarmantes de focos de incêndio no Brasil.

Nos 19 primeiros dias de setembro, foram 41 mil, uma média de 2,1 mil por dia.

Nas últimas 48 horas, esta média pulou para quase 2,9 mil por dia, com 5.845 focos.

No ano, são 131.561, o pior resultado desde 2012.

O período de seca na Amazônia e no Cerrado (que agora assumiu a triste liderança em número de focos) ainda deve levar um mês ou pouco mais para encerrar-se e, neste ritmo, é certo que passaremos muito de 200 mil focos de incêndio em 2019.

Hoje, o ministro da Defesa teria um encontro com o presidente Jair Bolsonaro para discutir o que todo mundo já sabia que era necessário: expandir até o fim de outubro a ação dos militares contra o fogo.

Mesmo assim, um quase nada: os militares combateram 500 incêndios, apenas 3% dos focos (15,8 mil) registrados no bioma amazônico este mês.

…………………………

Bolsonaro vai a ONU contradizer o mundo

Por todo o mundo, hoje, multidões se mobilizam contra as mudanças climáticas provocadas pela ação humana.

Até na CNN noticia-se que a questão ganhou tanto peso que “trabalhadores e investidores estão forçando as empresas a agir” sobre a questão, como se viu ontem quando fundos de investimento cobram providências do Brasil sobre as queimadas na Amazônia.

Na terça-feira, Jair Bolsonaro vai à ONU, entrar na contramão disso.

Vai aproveitar uma “belíssima” chance de tornar nosso país mais discriminado perante a comunidade internacional.

Não importa, essencial mesmo é afirmar um falso nacionalismo, o do “é meu e eu faço o que eu quiser com ele”.

Se puder, torce por ser confrontado por lá em Nova York, o que não é improvável.

Comprovaria sua “tese” de que “o Brasil está sendo atacado”.

Bolsonaro não acredita que o “antimarketing” tem validade limitada e que chega a hora do “eu não disse?”.