Por Fernando Rosa, jornalista, editor do blog Senhor X, especializado em geopolítica.

“Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada 12, como é que nós pagamos 13? É complicado. E é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. É aqui no Brasil. Então, são coisas nossas. A legislação que está aí é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo”.

As palavras acima são do general Hamilton Mourão, candidato à vice-presidente do capitão Jair Bolsonaro, proferidas em um evento no interior do Rio Grande do Sul. Além de aumentar sua lista de truculências verbais, a posição reforça a ignorância do general sobre mais um tema caro ao povo brasileiro. Ele não só mostrou desconhecer a Constituição Federal, como também ter faltado as aulas de matemática financeira nos colégios militares por onde passou.

Um corte no 13º Salário significa, objetivamente, uma perda mensal de 8,3% nos ganhos dos trabalhadores, e recursos que deixam de entrar na economia. Não devia escapar ao conhecimento do general a movimentação que o 13º promove na economia, com aumento de vendas e contratações de mão-de-obra no final do ano. O que, em resumo, a chapa Bolsonaro-Mourão-Guedes está propondo é a redução dos salários dos trabalhadores.

O que mais espanta na declaração do general Mourão, no entanto, não é apenas “desconhecer a Constituição” e “ofender os trabalhadores” – de acordo com o pito que tomou do capitão-presidente. O mais grave é, com isso, expor a instituição que representa com posições que demonstram desconexão com a vida do povo e a história do país. Na semana passada, ele “zerou” conhecimento em geopolítica nacional, ao renegar nossa formação “mulamba” e multilateralista- inclusive defendida pelo general Ernesto Geisel.

A sociedade brasileira a essas alturas deve estar se perguntando que tipo de soldados, ou melhor, de generais, o país está formando em suas fileiras. Como alguém com este nível de despreparo intelectual e humano, evidenciado em tudo que fala, atualmente chega ao generalato do Exército nacional? Se este é o padrão de formação de um general, então, quem está precisando de uma profunda reforma em seu papel e missão é o Exército.

Ainda mais grave, tanto para o Exército, quando para a sociedade, é tal perfil orientar uma “equipe” que pretende chegar ao poder máximo do Brasil. Estamos no centro de um grande rearranjo geopolítico mundial, em que precisamos ter a Nação unida, com instituições fortes e objetivos nacionais claros. O presente e o futuro exigem Forças Armadas com visão de Estado, não de vivandeiras em busca de golpes ou viúvas de Silvio Frota alinhadas aos Estados Unidos.