A reunião secreta convocada pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) dos EUA aconteceu em um contexto marcado pela ameaça de intervenção militar contra Venezuela. Mas o que é esse centro e quais seus reais objetivos?

Previamente, o CSIS organizou uma reunião privada denominada “Avaliação do uso da força militar na Venezuela”, que alegadamente será submetida às autoridades políticas e judiciais internacionais por Caracas.

De acordo com o próprio site do centro, o CSIS é definido como uma organização de pesquisa “sem fins lucrativos” que se dedica a fornecer “ideias estratégicas e soluções políticas”.

A instituição foi criada em 1962 por Ray S. Cline, o então diretor de pesquisa da Agência Central de Inteligência (CIA), e servia como lugar “preferido dos analistas da Guerra Fria”, segundo escreve o portal Voltaire.

Já para o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, o instituto é um promotor das guerras americanas, que são financiadas por “corporações petrolíferas” e “produtores de armas” dos EUA.

Na página da web do CSIS há uma seção separada nomeada de “Iniciativa Venezuela“, na qual propõe como os Estados Unidos, juntamente com a comunidade internacional, devem promover “ações mais eficazes e coordenadas” para o que chamam de “dia seguinte” no país caribenho.

Segundo o site, o centro estratégico disponibiliza essas “análises e recomendações” para a Venezuela, pois crê que uma vez que o país caribenho conta com “um governo legítimo e democraticamente eleito”, a nação bolivariana enfrentará “uma variedade de desafios sociais, econômicos, de segurança, legais, institucionais e humanitários”,

Sobre isso comentou o diplomata Moncada, que classifica o centro como um dos principais “órgãos de propaganda que promovem a guerra contra Caracas em Washington”. Para o embaixador venezuelano, o CSIS é tão influente em setores opostos à revolução bolivariana que conseguiu que Gustavo Tarre fosse nomeado como representante permanente “designado” pelo parlamento venezuelano, liderado pelo oposicionista Juan Guaidó.

Moncada garantiu que Tarre, com o aval do CSIS, logo “pedirá uma invasão humanitária” na Venezuela, aludindo ao uso de meios militares para depor o governo do presidente Nicolás Maduro.

A polêmica notícia sobre o encontro foi publicada pelo jornalista investigativo norte-americano Max Blumenthal no site Grayzone, que confirmou que a reunião prova que “as opções militares estão sendo seriamente consideradas neste momento”, depois que “todos os outros mecanismos que Trump colocou em jogo parecem ter falhado”.

A crise política venezuelana se agravou depois da autoproclamação de Guaidó, em 23 de janeiro. O presidente Maduro classificou a ação como um “golpe de Estado” liderado pelos EUA.

Sputnik Brasil

Venezuela: General que declarou lealdade a Guaidó é preso em Madri por tráfico de drogas

Autoridades espanholas prenderam, por acusações de narcotráfico, nesta sexta-feira (12), Hugo Carvajal, general que declarou sua lealdade ao líder da oposição Juan Guaidó.

Segundo informou uma porta-voz da Polícia Nacional Espanhola a prisão ocorreu devido a um mandado de prisão emitido pelos Estados Unidos.

Carvajal havia fugido para a Espanha depois de ser acusado pelo governo venezuelano de vários crimes, acusações que ele atribuía a “perseguição política”.

Em 21 de fevereiro, o general fugitivo postou um vídeo em sua conta no Twitter em que reconhecia como presidente no comando da Venezuela ao autoproclamado Juan Guaidó, fantoche do Governo Trump.

Nesse vídeo, Carvajal leu uma declaração na qual encorajou a liderança militar a abandonar Nicolás Maduro: “Depende de vocês, irmãos de armas, como isso termina. Não tenham dúvidas de que este é o lado certo da história.”

Em resposta, Maduro expulsou-o das Forças Armadas e despojou-o do posto de Major General. Carvajal também foi acusado pelo governo venezuelano de “atos de traição contra a pátria”.

Com pouca influência interna e sem serventia para o imperialismo, o pedido de prisão emitido pelos EUA visa tentar atingir a Revolução Bolivariana com falsas acusações de ligação ao narcotráfico, a partir de algo próximo a uma “delação premiada” na qual Carvajal envolva o governo chavista, tática que contará com apoio midiático, mas que já nasce desmoralizada pela própria origem.

Da redação do i21, com Agências