Atendimentos individualizados e personalizados marcam o trabalho desses profissionais no Hospital Pequeno Príncipe. Em parceria com as escolas de origem, eles asseguram a continuidade do ensino durante o internamento

Ser professor é compartilhar conhecimento e fazer o outro crescer, seja na casa, escola ou até mesmo em um hospital. Quando os alunos estão passando por um período difícil, como um tratamento em saúde, a função desses profissionais é ainda mais importante, pois vai além das fronteiras tradicionais do ensino. No Hospital Pequeno Príncipe, eles também são responsáveis por fortalecer as crianças e os adolescentes, e criar vínculos que auxiliam no tratamento.  São mais de 5 mil atendimentos educacionais por ano.

Desde 1980, a instituição promove a educação. Com um fluxo constante de pessoas, que resulta em aproximadamente 310 mil atendimentos ambulatoriais por ano, o maior hospital exclusivamente pediátrico do Brasil recebe crianças e adolescentes de diferentes idades, com os mais variados quadros clínicos e experiências escolares.  Os desafios, que vão além das origens condições sociais, também se refletem em possibilidades inovadoras de práticas educativas.

O atendimento aos pacientes é feito nos leitos e em espaços de convivência do Pequeno Príncipe. O ensino, não formal, é realizado de forma individualizada. “Cada pessoa é única, mas quando falamos em educação, isso se torna ainda mais evidente. Nós trabalhamos com o objetivo de valorizar as necessidades, potencialidades, dificuldades e desejos de cada um”, destaca o coordenador do setor de Educação e Cultura da instituição, Claudio Teixeira.

Os pacientes crônicos ou os que ficam internados por um longo período representam grande parte dos atendimentos do setor. “Crianças e adolescentes da hematologia ou da hemodiálise passam muito tempo na instituição, às vezes, mais do que em casa e na escola”, explica Teixeira. “O bacana é que abordamos com os meninos e meninas assuntos que lhes trazem sentidos. Por exemplo, certa vez conheci um garoto de Toledo, no Paraná, e falamos sobre a história da sua cidade de origem. Dessa forma, o aprendizado fica marcado não só na cabeça, mas também no coração do aluno”, afirma.

O que ocorre, de acordo com o profissional, é uma revisão de conceitos. Do “paciente” para o “agente”; da noção de “criança que nada sabe” para a de “sujeito criativo, capaz e propositivo”; e do “professor que tudo sabe e impõe um modelo rígido de aprendizagem” para o de “educador-aprendiz, que participa da busca junto com as crianças”, reitera Claudio Teixeira.

O Setor de Educação e Cultura

É formado por uma equipe de sete educadores contratados pelo Hospital e uma parceria com as secretarias municipais e estadual da Educação permite ainda a atuação de sete professores da capital e seis do estado, além de um pedagogo. Eles são responsáveis por contatar as escolas de origem dos pacientes para que os conteúdos trabalhados em aula possam ter continuidade no Pequeno Príncipe.

Além disso, o setor também realiza projetos culturais com as crianças e adolescentes, que englobam temas como música, dança, artes visuais e contação de histórias. Atividades de leitura também são incentivadas por meio da Biblioteca O Pequeno Príncipe e de carrinhos itinerantes, que garantem o acesso aos livros para pacientes que não podem sair dos leitos. “Essas são formas igualmente importantes de ensinar”, aponta Teixeira.