A equipe do consultório na Rua, faz acompanhamento pós-parto de gestante em situaçào de rua no CIC. – Na imagem, Claudia Ferreira dos Santos e seu bebê Arthur. Foto: Luiz Costa /SMCS

Uma soma de esforços de ações do Consultório na Rua e da Rede Mãe Curitibana Vale a Vida, ambos da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, está levando mais atenção às gestantes em situação de rua de Curitiba.

Com a busca ativa intensificada, no primeiro semestre deste ano 26 delas foram atendidas pelo Consultório na Rua. É mais que o dobro que no mesmo período no ano anterior, quando foram acompanhadas 12 gestantes.

Desde julho de 2017, o Consultório na Rua, que trabalha especificamente na atenção à saúde da população em situação de rua, passou a usar o teste rápido Beta BCG para identificar a gravidez. Caso o resultado seja positivo, os profissionais da saúde do Consultório na Rua se encarregam de garantir o pré-natal adequado e o tratamento precoce de condições que possam afetar a gestação da mulher em situação de rua, seguindo os protocolos da Rede Mãe Curitibana Vale a Vida.

As gestantes atendidas pelo programa têm priorização em consultas, exames e procedimentos, com adaptações de horários que permitam à equipe do Consultório na Rua realizar o acompanhamento – até no momento do parto, se for necessário.

O objetivo é garantir a completa adesão da mulher ao pré-natal. “Ações como essa contribuem para a queda de mortalidade infantil em Curitiba”, explica a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak. A taxa de mortalidade infantil em Curitiba caiu de 8,7 óbitos em cada mil nascidos vivos, em 2016, para 8,3, em 2017, uma redução de 4,6%.

Além disso, a gestação é um momento de reflexão para as mulheres em situação de rua. “A possibilidade de gerar uma vida e cuidar para que ela se mantenha saudável pode fazer com que a mulher mude as escolhas, deixe as drogas e a vida nas ruas”, explica.

Cláudia Ferreira dos Santos, 38 anos, foi uma das gestantes acompanhadas pelo Consultório na Rua no primeiro semestre deste ano. Com exame positivo no terceiro mês de gestação, ela recebeu o acompanhamento necessário para uma gestação saudável.

Para a Cláudia, além da nova vida a caminho, a persistência e dedicação da equipe do Consultório na Rua foi crucial para a decisão de aderir ao pré-natal e ao tratamento contra as drogas e sair das ruas. “Elas estavam ‘em cima’ de mim o tempo todo, cuidando de mim, traziam injeção, faziam meus exames, levavam ao dentista, daí eu decidi que eu queria me internar”, conta.

Após mais de 15 anos vivendo em situação de rua, ela retornou ao convívio familiar por meio do vínculo criado com a equipe do Consultório na Rua. “Eu sempre falava que queria sair, mas eu não tinha força. Aí eles estavam sempre lá, parece que sabiam até o que eu estava pensando quando estava prestes a desistir”, conta. “Acho que se no dia do internamento eles não estivessem lá, eu não teria ido”, complementa.

Hoje, Cláudia vive na casa da mãe com os filhos e continua o tratamento. O curitibinha Arthur está com 2 meses, saudável, com as vacinas, consultas e saúde em dia. Os membros da equipe do Consultório na Rua são carinhosamente chamados de madrinhas e padrinhos da criança.

Atuação

O programa Consultório na Rua de Curitiba aumentou em 66,34% o número de atendimentos prestado até agosto deste ano, comparado ao mesmo período de 2017. Foram no total de 22.220 atendimentos.

“O aumento é resultado da intensificação das ações de prevenção e promoção à saúde nos espaços de atendimento à população em situação de rua”, diz a coordenadora do Consultório na Rua, Ana Carolina Schlotag.

Em Curitiba, o programa atua com quatro equipes multiprofissionais, compostas por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, psicólogo, assistente social, cirurgião dentista e técnico em saúde bucal. Além do trailer, que possui agenda fixa em pontos estratégicos, duas ambulâncias dão suporte para o deslocamento das equipes.