As pernas de Sebastião André Fagundes, 95 anos, não são fortes como já foram e seu equilíbrio vai embora quando ergue demais a cabeça ou se levanta rapidamente. Nesta semana, ele está internado no Hospital do Idoso Zilda Arns, porque caiu ao se abaixar do lado da cama. Apesar da pouca altura, fraturou três costelas e ficou com hematomas no rosto, pernas, quadril e braço.

Curitiba tem cerca de 200 mil idosos (11% da população) e a fragilidade afeta a todos depois dos 60 anos. Neste sábado (24), é o Dia Mundial de Prevenção de Quedas de Idosos. As quedas no mesmo nível são as mais frequentes, com índices acima de 60%, e de degrau ou escada fica em segundo lugar, variando de 20% dos casos até 69 anos e 10% acima dos 70.

Na residência ocorrem mais de 70% das quedas. Por isso, o Programa Melhor em Casa, administrado pela Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (Feaes), orienta familiares de idosos atendidos em domicílio a tomarem alguns cuidados. O programa atende 400 pacientes por mês, com equipes formadas por médico, enfermeiro, fisioterapeuta, técnico de enfermagem, nutricionista e assistente social.

Fratura de fêmur, por exemplo, pode gerar complicações pulmonares e outros problemas de saúde. “Grades nas camas, barras de segurança nos banheiro e ausência de tapetes previnem acidentes. O índice de queda depois das orientações é muito baixo”, comentou Joaninha Artigas de Lara, gerente do Melhor em Casa.

Riscos

A geriatra Fernanda El Choz Leme Ahumada, do Hospital do Idoso Zilda Arns, explicou que há vários fatores de risco, além do enfraquecimento natural de músculos e ossos e da prevalência de doenças crônicas. Ela citou deficiências visuais, como glaucoma, catarata e degeneração da retina, articulações doloridas e com restrição de movimento, doenças neurológicas e medicação.

“Há remédios que, dependendo da dosagem, podem abaixar demais a pressão sanguínea ou causar hipoglicemia. Outros, que agem no sistema nervoso central, como antidepressivos ou ansiolíticos, também podem contribuir para quedas”, comentou a médica. Fernanda ressaltou que é preciso ficar atento para prevenir os acidentes.

As orientações Rita Dalvinha de Oliveira, 69 anos, filha de Sebastião conhece na prática. A casa do pai não tem tapetes e a passadeira fica presa ao sofá. “Ele só sai comigo e se exercita caminhando na calçada, dentro de casa”, relatou. Para ela, seu pai cai frequentemente mais por falta de atenção, ao tentar andar logo que se levanta e rodar o corpo em vez de virar devagar, movimentando os pés. “Falo para ele tomar alguns cuidados, mas meu pai é teimoso”, disse.