Quatro entidades representativas da Polícia Militar do Estado do Paraná divulgaram carta aberta lamentando a desconsideração e desrespeito por parte do governador Ratinho Junior com a ausência de militares estaduais na composição da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Os policias militares do Paraná não estão satisfeitos com a escolha do coronel do Exército, Rômulo Marinho. Para demonstrar a revolta dos policiais militares foi divulgada uma foto nas redes sociais do QG – Quartel General, com os dizeres “aluga-se ou vende-se”, representando o descontentamento com o Palácio Iguaçu.

O ex-delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Ricardo Noronha também reagiu com indiganção. Para ele, a escolha de um coronel do Exército para comandar a área de segurança pública do Paraná “é temorosa porque ele não tem o conhecimento da real situação da criminalidade em um Estado da dimensão do Paraná. É lamentável que o governador tenha agido dessa forma, mesmo sabendo que existem bons coronéis da PM e bons delegados da Polícia Civil com capacidade e experiência para assumir tão importante cargo”, disse.

 

CARTA ABERTA CONJUNTA

A Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná –ASSOFEPAR, em conjunto com a Associação da Vila Militar – AVM, a Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas – AMAI e a Sociedade Beneficente dos Subtenentes e Sargentos da PMPR – SBSS, por intermédio dos respectivos Presidentes, vêm a público se manifestar em relação às recentes nomeações para a Secretaria de Estado da Segurança Pública – SESP.

Externamos o desapontamento dos Militares Estaduais, em virtude da desconsideração e desrespeito para com a Polícia Militar do Paraná, verificados pela ausência de Militares Estaduais na atual composição da pasta.

Em que pese os Militares Estaduais: representarem mais de 70% do efetivo policial do Estado; serem os únicos profissionais de segurança pública presentes em todos os 399 (trezentos e noventa e nove) municípios desta Unidade Federativa, cumprindo as missões constitucionais de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública; serem os primeiros, quando não os únicos, garantidores dos Direitos Humanos dos cidadãos; serem responsáveis pela grande maioria dos resultados de segurança pública divulgados pelo Governo do Estado; serem os responsáveis pelo regular exercício dos poderes constituídos; serem os responsáveis pela grande maioria dos atendimentos de emergência da população, foram relegados a segundo plano, por ocasião da composição da SESP.

Necessário registrar que a efetividade das ações e operações desenvolvidas continuamente pelos Militares Estaduais em prol da população paranaense depende da perfeita interlocução destes profissionais com as instâncias de Governo. Sendo a Secretaria de Segurança a principal provedora dos meios e recursos para o exercício das suas atribuições, imperioso que pelo menos alguns dos profissionais ocupantes das principais funções da SESP detenham conhecimentos específicos e experiências profissionais relacionadas com as atividades de polícia militar e de bombeiro militar.

No intuito de retomar com a máxima urgência o equilíbrio necessário nas designações/nomeações para os cargos de direção da SESP, várias reuniões serão realizadas nos próximos dias, especialmente com autoridades do Poder Executivo e Legislativo. Também nesse sentido, haverá vigilância permanente para que a segurança da população não seja prejudicada por eventuais descompassos de ordem orçamentária, financeira e administrativa, que dificultem ou inviabilizem a atividade dos Militares Estaduais.

Curitiba, PR, 02 de junho de 2019.

Coronel
Izaías de Farias
Presidente da ASSOFEPAR

Coronel
Washington Alves da Rosa
Presidente da AVM

Coronel
Altair Mariot
Presidente da AMAI

Sargento
Arlindo Lucinda
Presidente da SBSS