Arquiteta e urbanista Sylvia Escorsim Baggio, 33 anos, passou a fazer parte da equipe do Ippuc em um dos últimos concursos realizados. Foto: Divulgação

A opção pela cidade, por planejar o espaço urbano, é uma área cada vez mais conquistada pelas mulheres. Na comparação de currículos elas têm as melhores notas e estão sempre à frente na busca por desafios.

Talvez este seja um indicativo do porquê o número de estagiárias das áreas técnicas do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) supere o de estagiários. Das 50 vagas de estágio ocupadas no Ippuc 30 são de mulheres. Não se trata de oposição a gêneros, mas de uma realidade.

Do total de funcionários, o Ippuc ainda tem mais homens que mulheres. São 108 postos ocupados por eles e 91 por elas. Porém, nos quadros de comando do instituto a predominância é feminina. Três das quatro supervisões são comandadas por elas: Supervisão de Planejamento, por Rosane Valduga; de Informações, por Liana Vallicelli, e Administrativa-Financeira, por Elvira Wos. Elas também são maioria nas coordenações a na Assessoria de Relações Externas.

O presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur, destaca que as mulheres fazem parte da história do planejamento urbano de Curitiba. “Franchette Rischbieter, doutora Dúlcia Auríquio, Milna Leone, Teresa Oliveira, Rosane Valduga, Liana Vallicelli, Célia Bim, Elvira Voss. São muitas as referências em diferentes áreas e em tempos distintos”, diz.

Segundo Jamur, fazer parte do poder público é mais que uma opção. “É uma doação, um compromisso que as profissionais que se dedicam à cidade cumprem de forma exemplar. O Ippuc ainda é e sempre será um terreno fértil para o desenvolvimento de talentos e de valorização de todos, independentemente de gênero.”

Regiele Silva, 23 anos, é uma das estagiárias mais recentes do instituto. Estudante do 4º ano de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), entrou aos quadros do Ippuc em 8 de novembro do ano passado para fazer parte da equipe de coordenação do Sistema Viário e de Transporte. “Sempre tive interesse pela área do Urbanismo. Nos trabalhos de faculdade a gente acaba usando dados do Ippuc em quase tudo. Então, eu já tinha visitado muitas vezes a biblioteca do instituto”, conta.

A sugestão pelo estágio partiu de um dos professores e a experiência, segundo Regiele, tem sido um grande avanço para além do conceito acadêmico. “No setor em que estou trabalhando a parte criativa é bem explorada. A gente pode participar desde os desenhos, acompanhar vistorias e projetos de geometria das ruas, acessibilidade, entre outros. É a academia transformada em prática”, diz.

Regiele afirma que quer continuar estudando mesmo após concluir o curso de Arquitetura. A meta é fazer mestrado e virar professora ou prestar concurso público. “Quero continuar na academia ou seguir no planejamento”.

Do estágio à admissão

A arquiteta e urbanista Sylvia Escorsim Baggio, 33 anos, passou a fazer parte da equipe do Ippuc em um dos últimos concursos realizados.

Aprovada em 2010 e admitida em 2011, Sylvia conquistou o que ainda é meta para Regiele. Antes de passar no concurso tinha feito estágio no setor de Projetos do Ippuc em 2005 e 2006. Depois de formada fez parte da equipe do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan) como funcionária comissionada de onde saiu para fazer a prova para o Ippuc.

“Gostei do Ippuc quando fiz estágio. Sempre quis concurso público. Passei e voltei à mesma mesa em que estava quando fiz estágio”, conta. Sylvia atuou de 2011 a 2013 no setor de Projetos e, em 2014, passou à coordenação do Sistema Viário do Ippuc.

Uma das grandes possibilidades que destaca foi a de ter participado de intercâmbio no Japão, em 2014, por intermédio de uma parceria entre o Ippuc e a Jica (Japan International Cooperation Agency).

Na opinião de Sylvia, o serviço público é uma das poucas oportunidades que as mulheres têm de poder ganhar como os homens. “É um caminho possível para não ter diferença de gênero na remuneração básica. Os postos de comando não estão distantes como estavam. Para nós, mulheres, o cenário está melhor, mas ainda longe do ideal”, completa.