O Brasil foi um dos últimos países a adotar a placa padrão Mercosul. Após muitos imbróglios jurídicos, guerras de liminares, parte dos brasileiros tiveram acesso a uma placa muito mais segura, moderna e eficiente.

As novas placas seguem o modelo adotado na União Europeia. No Uruguai o padrão já é utilizado desde 2015 e na Argentina, desde 2016.

Apesar do atraso vergonhoso na adoção da placa, hoje a nova placa está instalada em mais de um milhão de veículos no Brasil.

O novo modelo oferece maior possibilidade de combinações, devido à sua sequência de identificação.

É claro que, além de padrões e combinações, as novas placas proporcionam mais segurança e praticidade para autoridades e usuários, por isso possuem muito mais tecnologia embarcada do que as atuais.

Como medidas que visam combater a clonagem de placas, o novo modelo conta com marca d’água, hot stamp personalizado, ondas sinusoidais, QR Code e um chip. Tais recursos fizeram o uso de lacre ser dispensado nas novas placas.

O QR Code é um código de barras bidimensional que contém um número de série único. Ele pode ser escaneado em fiscalizações e também por possíveis compradores — como pode ser lido por qualquer smartphone atual, o código QR possibilita que o cidadão identifique veículos irregulares com maior facilidade. Esta é uma das principais medidas de combate à adulteração e clonagem de placas.

Já o chip, identificado como Selo Fiscal Federal, armazena dados do veículo que vão desde a identificação do fornecedor até o número, data e ano e modelo de fabricação do carro. Ele pode ser lido e rastreado facilmente por autoridades, uma vez que transmite esses dados por radiofrequência. Futuramente, o chip poderá ser utilizado na cobrança automática de pedágios, estacionamentos e em outras ocasiões.

Mas tudo isso não é suficiente para convencer as autoridades atuais.

O presidente Bolsonaro se manifestou mais um vez contrariamente ao novo padrão de placas.

Nas redes sociais o presidente Jair Bolsonaro se colocou, mais uma vez, contrário à adoção das placas padrão Mercosul.

“Vamos, com o nosso ministro Tarcísio (de Freitas, do Ministério da Infraestrutura), ver se a gente consegue anular essa placa do Mercosul. Porque não tem o município… não traz, no meu entender, benefício para o Brasil essa placa do Mercosul. É um constrangimento, uma despesa a mais”, declarou o presidente.

Em outro momento da transmissão, Bolsonaro voltou a afirmar que vai colocar fim na adoção das chapas: “Estamos tentando uma maneira legal, acho que dá para encontrar, para acabar com essa placa do Mercosul”.

A prosperar essa posição teremos na Justiça mais de 1 milhão de ações pedindo indenização por danos sofridos com substituição de placas. Esperamos que os valores sejam pagos pelo presidente e não pelo erário – que sempre paga por trapalhadas desse tipo.

Em outra transmissão ao vivo, Jair Bolsonaro declarou que  quer acabar com as lombadas eletrônicas nas estradas brasileiras. Segundo o presidente, é quase impossível viajar sem receber uma multa. Além disso, nas palavras dele, as lombadas eletrônicas servem mais para arrecadação do que para reduzir acidentes.

A Lei do farol aceso e o limite de pontos para cassação da Carteira Nacional de Habilitação também são alvos de Bolsonaro.

Em resumo, medidas modernas e eficazes para acabar com a clonagem de placas e a violência nas estradas, – conquistadas ao longo de décadas por pesquisadores e técnicos em segurança –  parece não resistir ao embate com a idiotice dominante.

 

José Gil