Com aumento de casos no Brasil entre 2000 e 2015, família e escola devem estar atentos a comportamentos de risco

 

Durante a edição do Setembro Amarelo, movimento mundial de prevenção ao suicídio, o Hospital Pequeno Príncipe, referência em atendimentos dessa natureza, alerta para os casos registrados de autoagressão e tentativa de suicídio entre crianças e adolescentes. De acordo com dados de uma pesquisa da Faculdade LatinoAmericana de Ciências Sociais (Flacso Brasil), com base em números do Ministério da Saúde, o problema merece atenção especial de toda sociedade – principalmente da família e da escola.

 

De 2000 a 2015, o levantamento da Flacso Brasil, aponta que o número de suicídios aumentou 65% entre garotos e garotas de 10 a 14 anos. No mesmo período, o crescimento foi de 45% na faixa etária de 15 a 19 anos. No Pequeno Príncipe, em 2018, foram atendidos 22 casos de autoagressão e tentativa de suicídio, sendo que o paciente mais jovem tinha 9 anos de idade. Este ano, oito atendimentos já foram realizados só no primeiro semestre. E os números, infelizmente, podem ser ainda maiores devido à subnotificação.

 

De acordo com a psicóloga Marianne Bonilha, profissional que atua no Serviço de Psicologia do Hospital, a maioria dos quadros de tentativa de suicídio estão relacionados algum distúrbio mental, mas crianças e adolescentes são ainda mais suscetíveis porque estão em processo de desenvolvimento emocional. Ela explica que a tristeza faz parte da adolescência. “Esse período é um momento de luto para o indivíduo porque ele está perdendo características físicas e emocionais da infância. Durante a adolescência, a influência dos grupos sociais é maior. O problema é que as relações estão cada vez mais virtuais e mais artificiais, o contato é por celulares ou redes sociais, o que tende a despertar o sentimento de solidão”, diz.

 

Uma pesquisa canadense que acompanhou durante quatro mil adolescentes de 12 anos, durante quatro anos, e questionou o tempo que eles ficavam nas redes sociais, vendo TV, jogando videogame ou no computador. O levantamento mostrou que os sintomas de depressão aumentavam de acordo com o período gasto nas redes sociais ou assistindo televisão.

 

Na opinião da psicóloga do Pequeno Príncipe, soma-se a isso, as novas relações familiares que também se tornaram mais distantes, com um funcionamento desestruturado e negligente. “É preciso se aproximar mais da rotina dos filhos e buscar momentos de interação e conversa para que eles se sintam amparados emocionalmente. As crianças e adolescentes também precisam entender e conhecer os ‘nãos’ e os limites para aprender a lidar com as frustações, facilitando o enfrentamento de dificuldades futuras”, explica.

 

Sinais de Risco

 

Para a psicóloga Marianne Bonilha o suicídio compreende aspecto multifuncionais. Por isso é importante que pais, responsáveis, escolas ou pessoas próximas estejam atentos aos sinais que podem demonstrar riscos como: tristeza profunda, descontextualizada e permanente, isolamento social extremo, perda de interesse em atividades que antes dava prazer, crises de choro frequentes, queda no rendimento escolar, verbalização de expressões de auto recriminação ou que represente baixa-autoestima, além de manifestações com morbidade acentuada e mudanças nos padrões do sono e/ou apetite.