O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quer ajuda dos órgãos do governo para controlar as doações para campanhas eleitorais em tempo real e, assim, conter a infiltração do crime organizado na política. Há preocupação também com o aumento de crimes cibernéticos, porque o Congresso aprovou novas modalidades de propaganda na Internet. As informações são de Jeferson Ribeiro n’O Globo.

— Estamos conversando com todas as autoridades da Receita (Federal), do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e estamos tomando todas as cautelas e temos o novo modelo de crowdfunding, que vamos analisar com todo cuidado. Vamos combinar ações que permitam monitoramento quase online dessas doações — disse a jornalistas o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, nesta terça-feira.

Gilmar se reuniu hoje com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, para pedir ajuda dos militares na força-tarefa que ele pretende criar com o governo federal e o Ministério Público (MP) desde já, um ano antes do pleito, para conter a infiltração do crime organizado na disputa eleitoral.

Uma reportagem do GLOBO no último domingo mostrou que o TSE já havia pedido ajuda da Abin e da Polícia Federal (PF) para investigar a atuação do crime organizado na política em pelo menos 19 zonas eleitorais fluminenses, onde há dificuldades para que os candidatos façam campanhas e até mesmo para a distribuição de urnas para o pleito.

A Justiça Eleitoral está preocupada com o domínio que traficantes e milicianos têm em vários territórios no Rio e com a possibilidade de facções criminosas financiarem ilicitamente candidatos que depois possam facilitar a entrada do crime nos aparelhos de Estado.

— O que tivemos em 2016, o único laboratório concreto que temos, foram 730 mil doadores (para as campanhas), dos quais 300 mil teriam problemas. Isso sugere que está havendo o uso de laranjal, e nesse contexto temos que ter a preocupação com o crime organizado que já dispõe de dinheiro ilícito e faz a distribuição — argumentou Mendes.

Jungmann disse que essa atuação do crime é uma grande “ameaça à democracia”.

— No Rio é onde você tem mais acabado o estado paralelo, estado criminoso que tem controle do voto, tem controle do território, que coloca criminoso e captura Estado para levar adiante suas atividades criminosas — disse o ministro da Defesa.

CRIME CIBERNÉTICO

Além da preocupação com o financiamento eleitoral ou mesmo participação de criminosos nas disputas, Jungmann e Gilmar discutiram os riscos dos crimes cibernéticos durante a campanha eleitoral do ano que vem. Será a primeira vez que serão permitidas propagandas pagas nas redes sociais.

— O ministro (Gilmar Mendes) manifestou interesse em fazer um convênio com centro de defesa cibernética do Exército para ajudar no combate desses crimes cibernéticos. Como a nova legislação vai jogar muito peso eleitoral nas próximas eleições nas redes sociais, é importante contar com um comitê que se preocupa com os crimes cibernéticos — alertou Jungmann.

Mendes convocou uma reunião para a próxima semana com os ministros da Justiça, Torquatro Jardim, do GSI, general Sérgio Etchegoyen, da Defesa e com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para criar um grupo de trabalho que começará desde já executar ações para evitar a infiltração do crime organizado na política.