Resultado gera preocupação sobre permanência ativa do vírus no corpo humano e a criação de imunidade suficiente para prevenir contra um novo surto

247 – A Coreia do Sul informou na sexta-feira, 10, que 91 pacientes curados testaram positivo para o coronavírus pela segunda vez, informa o jornal britânico The Telegraph. O resultado gerou uma preocupação internacional, uma vez que diversos países esperam que as populações infectadas criaram imunidade suficiente para prevenir contra um novo surto da pandemia. Além disso, muitos crêem que o vírus possa continuar ativo por mais tempo do que era pensado anteriormente.

As autoridades coreanas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia anunciou que mandou uma equipe para a cidade de Daegu, centro da pandemia no país, para investigar sobre a questão. Alguns dos pacientes reinfectados não mostraram sintomas, enquanto outros sofreram com febres e problemas respiratórios.

Com a testagem massiva da população, novos casos estão sendo mais fáceis de diagnosticar e, portanto, de controlar a propagação da doença. O país que foi um dos primeiros atingidos, diante de sua proximidade com a China, tem duas vezes menos casos que o Brasil e registra menos de 10 mortes por dia, com centenas de recuperados. Atualmente os dados oficiais indicam 10,5 mil infectados no país, dos quais 7,5 mil já foram recuperados.

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Números que iludem são aliados da estupidez

Fernando Brito – Tijolaço

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, deu a O Globo um número que confirma o que se disse aqui, ontem, sobre a imensa subestimação dos casos de infecção e morte por coronavírus.

Há “2.176 mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) ocorridas num período de sete semanas, entre fevereiro e abril, ainda estão sendo investigadas”.

Trata-se, portanto, de um número que é, praticamente, o dobro do número de mortes atribuída, nos números oficiais, ao novo coronavírus.

Como são casos fatais e não se deram no período mais agudos de vírus Influenza A e B, não é demais estimar que ao menos a metade (e provavelmente mais) devam-se ao Covid-19.

O que faz dobrar o número de mortos.

Ninguém se iluda com o fato de, por já serem de pessoas mortas, estes números não têm importância para a Saúde Pública.

São eles – e o número de infectados – do qual a falta de testes (se nem para os mortos há) nos tira qualquer ideia – que fazem decidir por atitudes preventivas práticas, quanto ao isolamento social e as restrições de mobilidade.

Não saber é o mesmo que ignorância e a ignorância é cúmplice da burrice desumana de nosso Governo, que quer que se ignore o alcance e a gravidade da epidemia aqui..

Ajuda a subestimar, tal como os números, os cuidados sociais e o que paradoxalmente seria a “autodefesa coletiva” de uma quarentena o mais rígida possível, que evitasse o estrangulamento do sistema médico-hospitalar que está chegando em marcha batida.

Quando os números macabros, afinal, tenderem a refletir a situação real, talvez seja tarde demais para evitar o colapso.