O secretário especial da Cultura – cargo que equivale ao de ministro – Roberto Alvim, foi demitido na semana passada após fazer um discurso copiando trechos de discurso do ministro de Adolf Hitler da Propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels.

Assim como Goebbels havia afirmado em meados do século XX que a “arte alemã da próxima década será heroica” e “imperativa”, Alvim afirmou que a “arte brasileira da próxima década será heroica” e “imperativa”.

Entidades e políticos “pediram a cabeça” de Alvim e ele foi demitido – e com muita razão.

O tema “nazismo” voltou a ser debatido e a fotografia acima viralizou nas redes sociais, com comentários do tipo “onde estão hoje os filhos e netos dos nazistas e fascistas da foto?” A fotografia mostra milhares de curitibanos fazendo a saudação nazista na Praça Tiradentes em 1937. Eram membros do Movimento Integralista, organização partidária que tem como inspiração o fascismo italiano de Benito Mussolini e o movimento integralista de Plínio Salgado.

Na época o Consulado italiano ficava no Palácio Garibaldi e o cônsul italiano chegou a ser expulso do Brasil por fazer ostensiva propaganda fascista.

Milhares de curitibanos fazem a saudação nazista na Praça Tiradentes, em 1937

Criticar os descendentes de imigrantes italianos e alemães por apoiarem o fascismo naquela época é algo descabido e despropositado. É preciso considerar que na época não havia facilidade de comunicação, e os alemães e italianos que viviam no Brasil não sabiam o que realmente acontecia na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler, e mais, o maior contato dos imigrantes era com os seus respectivos consulados, que estavam dominados por partidários do nazismo e do fascismo. Isso explica a adesão dos imigrantes que, em sua grande maioria, deixaram de apoiar os governos da Itália e Alemanha assim que seus governantes foram derrotados e vieram a público as notícias dos horrores da guerra.

Roberto Alvim, o ex-ministro que copiou discurso nazista, fez sucesso em Curitiba em 2009 ao participar de um projeto do Sesi, o Núcleo de Dramaturgia. Ele foi festejado pela imprensa e intelectualidade curitibana enquanto ministrou aulas de dramaturgia para atores e diretores de teatro. Fez sucesso, assumiu a coordenação do projeto, que se estendeu até 2016.