Fernando Brito – Tijolaço

Há exatas duas semanas, o sr. Nélson Teich, ainda nos dias de estreia de sua interventoria no Ministério da Saúde, disse que o Brasil ia muito bem, obrigado, no combate à pandemia do novo coronavírus:

“O Brasil hoje é um dos países que melhor performa (sic) em relação à covid. Se você analisar mortos por milhão de pessoas, o número do Brasil é de 8,17. A Alemanha tem 15. A Itália, 135. Espanha, 255. Reino unido, 90 e EUA, 29″.

Não foi ignorância o que fez estes números e comparações serem dados publicamente.

Foi má fé, porque nem é preciso ser médico ou epidemiologista para saber a “performance” de mortes de um país numa epidemia depende, é lógico, do momento e da acuidade desta medição.

Teich sabia e sabe disso.

Quanto todos sabem que os mortos se acumulam às centenas diariamente – e agora, como se previa, com nome e rosto, não apenas números – é de uma imensa desfaçatez dizer-se que “apenas” 28 foram diagnosticados nas últimas 24 horas e que há 1.579 óbitos em investigação e 100 mil testes pendentes de análise, pois seriam estes os feitos na rede privada.

Como as pessoas que buscam a rede de saúde, em sua maioria, levam alguns dias para evoluir à gravidade e à morte, não é possível que, depois de dois meses, estes resultados já deveriam estar prontos para, até, ter-se certeza da doença que os acometia.

E os resultados dos testes privados, o que exigem senão uma portaria, uma regulamentação que obrigue os laboratórios a registrar seus resultados. Não são mais de algumas dezenas os laboratórios que os realizem e, para funcionar, estão sujeitos à autorização do Ministério.

A verdade é que o Sr. Teich está perdido e o país, sem autoridades afirmativas, mais perdido ainda.

O sr. Wanderson de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, presta-se ao ridículo de dizer que só “pode garantir hoje é que o período mais crítico da doença será conhecido entre maio, junho e julho”.

Ou seja, não pode dizer nada que um simples palpiteiro poderia dizer.

Dentro de alguns dias, a realidade que escondem e que os paralisa vai parar as grandes cidades, num inevitável lockdown que virá tarde demais para dezenas de milhares de mortos.