Foto: Priscila Forone

A honestidade e a honradez do ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz custou perseguição, demissão e ameaças de morte. Mudou de país para não ser assassinado.

A história recente do país está cheia de escândalos que envergonham a todos nós brasileiros, entre elas está a trajetória de perseguições ao ex-delegado Protógenes Queiroz, um policial honrado que combateu a corrupção até as últimas consequências, e pagou um preço muito alto: foi exonerado da Polícia Federal, sofreu dois atentados, decreto de prisão e finalmente foi exilado na Suiça, onde se encontra atualmente, ao lado do filho, na cidade de Genebra.

Estamos no ano de 2009. O Conselho Comunitário de Segurança do bairro Água Verde de Curitiba (bairro com 60 mil habitantes, o segundo bairro da cidade com maior poder aquisitivo) é presidido pelo diretor do jornal Água Verde, José Gil.

A diretoria do Conselho acompanha a trajetória do delegado Protógenes Queiroz, perseguido e exonerado da Polícia Federal por combater a corrupção. Ao final decidem homenagear o então delegado Prótogenes com a entrega do Diploma Delegado do Povo, “para se contrapor à mentiras da grande imprensa”, justificou José Gil. Decidiram entregar o diploma em praça pública, na Boca Maldita de Curitiba, tradicional local de eventos políticos, entre os quais o lançamento da campanha Diretas Já no ano de 1984.

Protógenes estava sofrendo ataques pela mídia e atentados à sua vida. O Conselho de Segurança compreendeu que seria necessário promover a segurança do delegado em Curitiba, missão que ficou a cargo de Ivan Rigotti, funcionário aposentado do setor de segurança da Petrobras.

O presidente do Conselho viajou a Brasília para transmitir o convite e agendar a vinda do delegado a Curitiba. A iniciativa coincidiu com o casamento de um agente da Polícia Federal em cidade do interior do Paraná, para o qual Protógenes havia sido convidado. E a visita do ex-delegado Protógenes Queiroz a Curitiba se deu em 5 de junho de 2009. No dia 6 seguinte o ex-delegado recebeu no calçadão da Rua XV, perante centenas de pessoas, em praça pública, o Diploma Delegado do Povo. Além da homenagem dos organizadores, o presidente da Sociedade Árabe Brasileira do Paraná, Moutih Ibrahim, participou e falou que “o Brasil precisa de mais homens com a coragem e a honestidade de Protógenes Queiroz”. Após o evento os participantes seguiram para um almoço no bairro oferecido pelo Conselho de Segurança. Durante a noite Protógenes foi entrevistado no programa “Brasil Nação” na TV Educativa.

Atualmente exilado na Suiça, Protógenes Queiroz é mais um brasileiro perseguido e injustiçado por ser honesto e honrado.

 

Resumo do caso
Protógenes Queiroz recebeu o nome em homenagem ao Almirante Protógenes Pereira Guimarães, ex-ministro da Marinha da Era Vargas e ex-Governador do Rio de Janeiro.
Enquanto delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz atuou nas seguintes investigações, entre outras:
1 – O caso Corinthians/MSI por evasão de divisas e lavagem de dinheiro,
2 – As fraudes da arbitragem do Campeonato Brasileiro de Futebol em 2005,
3 – Remessas ilegais de dinheiro para paraísos fiscais, desviadas da Prefeitura de São Paulo pelos o ex-prefeitos Celso Pitta e Paulo Maluf.
4 – Operação que prendeu o comerciante Law King Chong, o maior contrabandista do Brasil.
5 – Contas CC5 do Banestado no Paraguai.
6 – Comandou a Operação Satiagraha que levou o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta à prisão. A Operação Satiagraha foi anulada em 2011.
Em 2010, foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo obtendo 94.906 votos válidos. Tomou posse em 1° de fevereiro de 2011. Na eleição seguinte não foi reeleito.
O governo federal exonerou o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. A exoneração, assinada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi publicada no Diário Oficial da União.
No dia 31 de março de 2017 a juíza substituta Andréia Moruzzi, da 7ª vara federal criminal da capital paulista, decretou a prisão do ex-delegado.
Queiroz foi condenado pela Justiça brasileira em 2010 a 2 anos e 6 meses de reclusão acusado de vazamento de informações na Operação Satiagraha. Anos depois na Operação Lava Jato os casos de vazamento de informações se tornaram corriqueiros e ninguém foi punido.
Em maio de 2017 a juíza Andrea Silva Sarney Costa Moruzzi, da 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo, emitiu mandado de prisão e pediu a inclusão de Queiroz na lista vermelha da Interpol, a relação dos criminosos mais procurados de todo o mundo pela polícia internacional.
Durante viagem a Genebra para participar de conferência, Protógenes Queiroz solicitou e conseguiu exílio em Genebra, Suiça, onde reside atualmente.
A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou a prisão do ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado Protógenes Queiroz, em decisão unânime dos desembargadores.