O executivo da Renault, Carlos Ghosn, é inocente, mas é vítima do governo Trump

A imprensa domesticada não enxerga um palmo à frente do nariz quando se trata de contrariar os interesses do governo dos EUA. O caso da prisão de Carlos Ghosn é a mesma estratégica burra do governo Trump aplicada na prisão de Meng Wanzhou, executiva da gigante da tecnologia chinesa Huawei no Canadá. É o mesmo caso, em países – e respostas – diferentes.

Meng Wanzhou, foi presa porque mandou construir no Irã uma subsidiária da empresa chinesa Huawei, contrariando o boicote dos EUA. Carlos Ghosn praticou o mesmo “crime” na visão do governo Trump, ao construir no Irã uma montadora do grupo Renault Nissan. Ambos foram punidos por não se submeter aos interesses econômicos e políticos criminosos do atual governo dos EUA.

Carlos Ghosn é um dos executivos mais competentes e famosos do mundo. Graças a ele a indústria automotiva mundial mudou de rumos e apresentou inovações que beneficiam a todos os consumidores de automóveis. Entretanto, Ghosn – e Meng Wanzhou – foram atropelados pela máquina de guerra norte-americana e seus cúmplices da imprensa venal. A imprensa ocidental tritura o passado de respeitabilidade e integridade de Ghosn e Meng Wanzhou com muita rapidez, com o objetivo de ameaçar e aterrorizar as indústrias e governos que negociam com o Irã.

O Japão é um país ocupado militarmente pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, e como tal obedece cegamente as ordens de Trump.

Por trás dessa ferocidade de Trump contra o Irã está o desespero de uma economia deficitária, à beira de uma crise mundial, por perder espaço político e econômico em diversas regiões. Somente a indústria bélica hoje mantem a economia norte-americana com algum oxigênio. O império norte-americano, como conhecemos a décadas atrás, está ruindo.

O governo chinês deu uma resposta à altura à subserviência e cumplicidade do governo canadense: mandou prender dois cidadãos canadenses. No dia seguinte, o governo do Canadá mandou libertar Meng Wanshou, mas ainda mantém a chinesa em prisão domiciliar, a pedido de Trump.

Quanto a Ghosn, o brasileiro, teve o azar do Brasil ser governado por um zero à esquerda como Michel Temer, e nenhuma medida foi tomada pela libertá-lo da prisão em Tóquio. E do governo eleito também não se espera medida alguma em defesa de seu cidadão preso injustamente no Japão, a pedido dos EUA.

 

José Gil