A notícia de que o governo egípcio cancelou a visita oficial que o chanceler Aloisio Nunes faria ao Egito acompanhado de 20 empresários brasileiros no próximo dia 11 é bastante preocupante. Os 20 empresários que buscavam fazer negócios com o Egito para gerar empregos e renda no Brasil voltaram frustrados.

Ao cancelar esta visita o presidente do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, sinaliza como será a reação da maioria dos governantes árabes, que estão surpresos com as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro de apoio irrestrito a Israel e sua política genocida na Palestina ocupada, ameaçando inclusive mudar a embaixada do Brasil para Jerusalém, abrindo uma guerra diplomática com o povo palestino e diversos países árabes – algo que definitivamente não interessa ao povo brasileiro e nem ao menos à humanidade.

Produtos agropecuários são os principais itens da pauta das exportações do Brasil ao mundo árabe. Dos US$ 13,6 bilhões em vendas do País à região no ano passado, os itens do agronegócio responderam por US$ 10,4 bilhões, com um aumento de 18% em relação ao total de 2016. No Paraná a agricultura seria a grande prejudicada porque as exportações de carnes e derivados ao mundo árabe é um dos grandes motores da nossa economia.

A imensa colônia árabe radicada do Brasil, e seus descendentes, que somam aproximadamente 15 milhões de pessoas, entre libaneses (10 milhões), palestinos, sírios, egípcios, marroquinos, argelinos sudaneses e jordanianos, entre outros, assiste com grande preocupação a possibilidade de afastamento diplomático, comercial e cultural, entre o Brasil e o mundo árabe.

A relação diplomática, comercial e cultural, entre brasileiros e árabes, foi construída ao longo das últimas décadas com investimentos milionários e muitos esforços diplomáticos.

A colônia árabe no Brasil espera que prevaleça a razão e o bom senso na diplomacia brasileira para não transformar o nosso país – Brasil – em estado pária perante a diplomacia mundial.

 

Mohamad Ibrahim Barakat

Ex-vereador e ex-secretário de Indústria e Comércio de Foz do Iguaçu