Em nossas mãos a oportunidade para dar novo rumo à ação política no Brasil. Em atos inerentes a suas responsabilidades os servidores públicos Joaquim Barbosa e Sérgio Moro quebraram uma das pernas de atuais agentes políticos. Um, com viés de esquerda, outro, mais à direita do espectro do ideário humano. Mesmo assim, apontaram na mesma direção; convergência ao centro do essencial interesse público. Não nos confundamos com o amorfo “centrão” – mais do mesmo – astúcia coligada ao blá-blá-blá. Por eles vivemos neste rodamoinho de interesses privados, movido à conveniente delação de bandidos ricos e muita desinformação. Entre os atuais candidatos à presidência da república, talvez Ciro Gomes mas com certeza João Amoêdo, são únicos a incorporar visão centrípeta da política. Pelo menos enxergam o todo; demostram responsabilidade; mostram consciência dos problemas nacionais. Um mais à esquerda, outro mais à direita. Mas, quando se acredita no potencial empreendedor que aflora da liberdade do indivíduo responsável, Ciro perde para João.

A esquerda brasileira, em geral, não trabalha no caminho da ascensão social aos que se interessam. Carimba e encurrala a pobreza distribuindo bolsa-permanência. Por isto, esses dois diferem no fundamento: o papel inerente ao Estado moderno nacional. É daí que decorre a direção das políticas públicas necessárias ao interesse de seus residentes, como sociedade. Dizendo de outro modo: quem deve “garantir” a quem e por quê? Como e até quando? Ninguém deixa claro até onde deseja propor este sutil direcionamento com sustentabilidade. Debate impossível no perverso sistema eleitoral em que os atuais donos do poder se cimentaram com rabo preso. Em especial, deputados e senadores pernetas, com crachá de representante do povo. Sem vergonhas, desviaram bilhões de nossos impostos para “refinanciar-se” em ilegítima reeleição. Museus que se queimem! Distribuem parte da grana a falsos líderes comunitários (inclusive prefeitos e vereadores) agenciadores de voto arrebanhado entre ignorância e desesperança. Sem auditoria efetiva, se reelegem. Mas ainda resta uma perna, se aprendemos algo com a coragem de Barbosa e Moro. Só depende de nós! Há muito de novo entre candidatos; comprovação de sucesso em suas respectivas áreas profissionais; conhecimento do caminho e dos obstáculos ao acesso; visão do centro essencial. Quantos votos podemos direcionar a tais candidato ficha limpa? São muitos. Somos muitos! Nós é que nos acostumamos a repetir, sem pensar, que são todos iguais. Nós é que nos acostumamos a não cobrar resultado dos que são eleitos ao Congresso Nacional, local efetivo da mudança. Mais que um presidente, mais que esquerda ou direita, somente nossa ação e envolvimento político, nosso voto e cobrança desses representantes tornarão possível a segurança e o bem-estar de todos. ***

 

Denis Rosa (politize.br@gmail.com) Economista e Filósofo, é pós-graduado em Administração Pública (FGV-RJ) e Sociologia Política (UFPR)