Na tentativa de agradar militares norte-americanos, o almirante Ilques Barbosa Júnior disse que o Brasil esteve junto com os EUA em três guerras mundiais; a verdade é que, além de a historiografia só considerar duas guerras mundiais, o Brasil só teve participação na segunda

Com a presença de Jair Bolsonaro, foi realizada na manhã desta quarta-feira (9) em Brasília (DF) a cerimônia de troca de comando das Forças Armadas e o evento foi marcado por um “deslize” do novo comandante da Marinha, o almirante Ilques Barbosa Júnior.

Escolhido pelo próprio Bolsonaro para o posto de chefia, o militar seguiu os passos do presidente, que chegou a prestar continência para um assessor, e tentou agradar autoridades norte-americanas que estavam presentes no evento dizendo que o Brasil manteria a parceria com  os Estados Unidos, a exemplo das “três guerras mundias” que o os países teriam lutado juntos.

“Menciono a presença do Almirante John Richardson, chefe de operações navais dos Estados Unidos da América. O contra-almirante Sean Buck, comandante da quarta esquadra e forças navais do Comando do Sul […]. Nós estivemos juntos em três guerras mundiais. Essa é a parceria que nós estamos dando continuidade”, disparou.

A historiografia só reconhece, no entanto, a existência de duas Guerras Mundiais: a de 1914 – 1928 e a de 1939 – 1945. O gafe cometida pelo comandante é ainda mais grotesca na medida em que se constata que, além de apenas duas guerras mundiais, o Brasil participou efetivamente apenas da segunda, enviando tropas para a Itália. Na primeira, o país teve uma participação ínfima, pois se manteve neutro no início do conflito já que tinha relações comerciais com os dois lados opostos.

Bolsonaro, que chegou ao evento de lancha, não comentou o deslize de seu escolhido para o comando da Marinha.

Revista Forum