Impasse no fornecimento de combustível a navios iranianos trava exportação de milho, prejudicando produtores paranaenses

O episódio dos navios de bandeira iraniana parados nas proximidades do Porto de Paranaguá revela mais uma vez que o atual governo está decidido a sacrificar a agricultura nacional para agradar o presidente Trump. Milhares de agricultores brasileiros serão penalizados por uma política externa burra e submissa aos interesses dos estadunidenses.

Os tripulantes de dois navios cargueiros de bandeira iraniana estão há mais de 30 dias a bordo, fundeados a 20 quilômetros do Porto de Paranaguá (PR). A empresa exportadora de Santa Catarina, que afretou os navios MV Bavand e MV Termeh, afirma que, embora dispusesse do combustível necessário, a Petrobras se negou a fornecê-lo sob a alegação de que os navios estão na listagem da OFAC (escritório de controle de ativos estrangeiros dos Estados Unidos, em tradução livre). O órgão é ligado ao departamento de tesouro do governo norte-americano. O processo tramita em segredo de Justiça a pedido da estatal brasileira.

O caso mais grave é do MV Bavand, que aguarda o fornecimento de combustível desde o dia 8 de junho, sendo que as 48,4 mil toneladas de milho, carga no valor de R$ 45,5 milhões, já se encontram carregadas e lacradas nos porões. O MV Termeh espera o insumo desde o dia 9 de junho para que possa seguir para atracar no Porto de Imbituba (SC) e carregar aproximadamente 60 mil toneladas de milho a granel, no valor aproximado de R$ 60 milhões. Ambos contam com autorização das autoridades competentes para concluir a exportação. O destino dos navios é o Porto Bandar Imam Khomeini, no golfo pérsico.

“Tigrão” com o Nordeste; Tchutchuca com os ‘States’

Fernando Brito – Tijolaço

O presidente valentão sabe muito bem com quem pode sê-lo e com que pode se fazer de poderoso.

Agride – e não é de hoje – os nordestinos, que dependem do Governo Federal para mitigar injustiça histórica.

Mas fala fino com os norte-americanos e, mesmo sem ameaças de retaliação, nega-se a vender combustível para navios que levam milho comprado – e pago – pelo Irã, país com o qual temos plenas relações diplomáticas.

Digo sem ameaças porque, publicamente ao menos, não foram feitas e mesmo nas sanções impostas aos EUA pelo Irã há exceção para alimentos e, ao que se saiba, milho não é outra coisa, a menos que já se tenha inventado o fubá de destruição em massa.

O Irã é nosso maior parceiro comercial no Oriente Médio e parceiro altamente vantajoso: nosso sexto maior saldo de exportações versusimportações.

Mas nosso presidente pessoalmente diz que mandou avisar dos riscos de negociar com os iranianos e que dane-se quem se atreveu a fazê-lo.

Afinal, vender bilhões de dólares e milho e soja ao governo de Teerã não é nada perto das guerras comercial por três caminhões de banana do Equador ou de vender alguns abacates para a Argentina.

Como estamos na iminência de, litaralemnte, colocarmos um menino de recados em nossa embaixada em Washington, vamos deixar os navios quase encalhados e o milho, quem sabe, apodrecer.

Ou, quem sabe, fazer um pedido de “quebra essa, Tio Trump”, que a gente não vende mais para eles e ajuda os iranianos a passarem fome, feito essa que não existe no Brasil e ajuda a criar uma crise semelhante à da Venezuela…

Nada como ter uma Tchutchuca para ser tigrão com os pobres.