As imagens dos caminhões militares em fila em frente ao hospital da cidade de Bergamo, na Itália, para remover os corpos das vítimas do novo coronavírus comoveram os italianos na noite desta quarta-feira. Dias antes, autoridades anunciaram que o sistema de saúde de um dos países mais ricos do mundo estava em colapso: não havia remédios e UTIs para milhares de infectados. Não havia mais lugares para sepultar os mortos, que passaram a ser cremados. Os familiares perderam o direito de velar seus mortos.
Em muitos hospitais os pacientes com mais de 80 anos foram deixados para morrer porque não há médicos e enfermeiros suficientes para atender a todos. A ordem é atender os mais jovens.
Os militares foram acionados pelos governos para levar os corpos para crematórios da região, já que os cemitérios da cidade não tem mais capacidade para atender a tantos pedidos de cremação.
Os números de mortos são maiores porque existem casos de pessoas mortas em apartamentos e residências.
“Essa dos caminhões do Exército que levam os cadáveres de Bergamo é uma das fotos mais tristes da história do nosso país. Somos italianos e, em momentos como esse, é quando tiramos o melhor de nós. Sairemos dessa e faremos isso também por eles”, escreveu um italiano em seu Twitter.
Outro usuário da rede social também fez um relato comovente.
“Minha Bergamo! Essa noite não tenho mais palavras, não tenho mais forças, não tenho nem um “vai ficar tudo bem”. Essa noite só tenho lágrimas, tenho só dor”, postou.
A Itália é o segundo país do mundo em número de casos do novo coronavírus, com mais de 50.000 pessoas infectadas, e também a segunda em número de mortos, com mais de 5.000.
Bergamo fica localizada na província da Lombardia, a que mais tem casos e mortes da doença, e é uma das localidades que mais está sofrendo com os atendimentos hospitalares. Para ter uma ideia, já são 1.959 mortos apenas na província.
Boas notícias
1 – Após a quarentena de uma semana dos moradores italianos os números de infectados e mortos começaram a cair nos últimos dias.
2 – Mais de 50% dos infectados com coronavírus já estão curados. Dos 121,2 mil casos de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV2) confirmados em 113 países até esta quarta-feira, 66,2 mil (54,6%) se curaram, segundo dados de um monitoramento do Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.
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Brasil
‘Para cada caso notificado, há 15 infectados sem diagnóstico’, afirma presidente do hospital Albert Einstein. 
O pico dos casos na epidemia de covid-19 no Brasil deve ocorrer no início de abril. A previsão foi feita na noite desta quarta-feira pelo presidente do Hospital Albert Einstein, médico-cirurgião Sidney Klajner, em entrevista por telefone ao Estado. Ele afirmou que neste momento “é muito importante que as pessoas se conscientizem da importância de permanecer em casa” para tentar impedir o avanço do vírus. Ainda segundo estima ele, para cada caso notificado da doença hoje, existem outros 15 infectados sem diagnóstico.