Diversas reuniões estão sendo realizadas neste momento em Brasília para tentar antecipar uma resposta aos escândalos de corrupção denunciados por dirigentes da JBS. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (PMDB-RJ) tenta reunir a bancada peemedebista para garantir um mínimo de unidade no partido, mas não está conseguindo.

Do lado do PSDB, o maior aliado do governo Temer, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que os políticos afetados por novas denúncias de corrupção devem uma explicação e, se necessário, precisam facilitar a solução da crise, ainda que com renúncia.

“Os atingidos por elas têm o dever de se explicar e oferecer à opinião pública suas versões. Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia”, escreveu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na sua página no Facebook.

O governo sofreu um duro golpe com a divulgação de notícia de que o presidente Michel Temer foi gravado dando aval a Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

A gravação mostra também que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), pediu 2 milhões de reais ao empresário Joesley Batista.

Segundo Fernando Henrique, a atual crise é grave e a solução deve seguir a Constituição.

“O país tem pressa… pressa para ver na prática medidas econômico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros. E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos”, escreveu Fernando Henrique.

Os jornalistas Ricardo Noblat e Jorge Bastos Moreno, do Globo, que eram também porta-vozes oficiais do governo, confirmam: Michel Temer renuncia nesta quinta-feira; Moreno disse que Temer tem motivos para renunciar e Noblat foi mais incisivo, afirmando que Temer foi convencido por aliados e adversários a jogar a toalha.

Neste momento tropas do Exército estão cercando os palácios do Planalto e Alvorada, a pedido do presidente Temer.