O jornal Washington Post, um dos mais respeitados do mundo, dedica sua capa desta terça-feira  à ativista Marielle Franco, brutalmente executada no Rio de Janeiro. Segundo o jornal Marielle se torna agora um símbolo global na luta contra a violência a discriminação racial. A reportagem questiona o mito da “democracia racial” e destaca o genocídio praticado contra a população negra, pobre e periférica no Brasil. Em outro ponto, o jornal também ressalta que o crime até agora não foi esclarecido.

Confira, abaixo, um trecho da reportagem:

O racismo no Brasil tem uma história complexa.

O país importou 4 milhões de escravos, mais de 10 vezes o número trazido para os Estados Unidos. Nos Estados Unidos, o intercâmbio racial foi desencorajado. Mas no Brasil, onde os colonos portugueses foram superados em número por seus escravos, foi endossado como uma forma de “branquear” a população.

A miscigenação logo se tornou uma pedra angular da identidade nacional, com 53 por cento dos brasileiros que agora se vêem como negros ou mestiços.

“No Brasil, você se opõe a essa narrativa da mistura racial, que a identidade negra ou a identidade branca é uma importação – que o conceito de racismo foi importado pelos americanos”, disse Glen Goodman, professor de estudos brasileiros na Universidade de Illinois em Urbana -Champaign.

Os críticos dizem que o mito de um Brasil pós-racismo silencia conversas sobre discriminação e violência profundamente arraigadas.

Os números, eles dizem, falam por si mesmos. Todos os dias, 112 negros ou brasileiros de raça mista são mortos, de acordo com o Instituto Igarapé. Eles representam 53 por cento da população nacional, mas 71 por cento de todos os homicídios. Entre 2005 e 2015, a proporção de negros e brasileiros de raça mista morreu aumentou 18 por cento, enquanto o número de brancos caiu 12 por cento.

Marielle Franco era uma raridade na política brasileira: uma mulher negra poderosa.