A quebra de decoro do presidente Jair Bolsonaro ao compartilhar vídeo de conteúdo obsceno no Twitter recebeu amplo destaque do jornal The Guardian, o mais importante da Inglaterra; “Presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, provocou indignação, nojo e ridicularização depois de tuitar um vídeo pornográfico em uma aparente tentativa de revidar as críticas de seu governo durante o carnaval deste ano”, diz o Guardian

Brasil 247 – O desatino do presidente Jair Bolsonaro, que postou um vídeo obsceno nas redes sociais para criticar o Carnaval, foi alvo de uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, um dos mais influentes do Reino Unido. No texto, o correspondente para a América Latina, Tom Phillips, destaca que “o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, provocou indignação, nojo e ridicularização depois de twitar um vídeo pornográfico em uma aparente tentativa de revidar as críticas de seu governo durante o carnaval deste ano”.

A reportagem enfatiza que “foliões de todo o país usaram a festa anual de rua como uma oportunidade para protestar contra seu líder extremista que é notório por seus comentários homofóbicos e racistas”. Na cidade de Olinda, no nordeste do país, supostamente os banhistas cobriram uma gigantesca boneca de carnaval de Bolsonaro com latas de cerveja, blocos de gelo e palavrões. (…) Festeiros dissidentes de todo o país carregaram imagens de multidões cantando obscenidades em Bolsonaro sob a hashtag #EiBolsonaroVaiTomarNoCu, que educadamente se traduz como #GetScrewedBolsonaro. Os cantos foram ouvidos até no coração do carnaval brasileiro, no Sambódromo do Rio”, diz a reportagem.

A reportagem relembra, ainda, que a polêmica começou na terça-feira (5), quando ainda pela manhã Bolsonaro usou sua conta no Twitter para criticar as manifestações contra e afirmar que “a cultura brasileira foi destruída por décadas de governos com uma inclinação socialista”. “Mais tarde naquela noite, Bolsonaro foi mais longe, twittando um clipe sexualmente explícito – supostamente filmado durante um evento de carnaval em São Paulo – que mostrava um homem dando prazer a si mesmo antes de ser urinado por outro”, relata o Guardian. (leia mais no Brasil 247).

O jornal britânico também destaca a reação da população e da mídia à postagem feita por Bolsonaro. “Raiva, perplexidade e uma série de manchetes antes inconcebíveis se seguiram em algumas das principais agências de notícias do Brasil”.

A reportagem também observa que “não houve sinal de tal pedido de desculpas na manhã de quarta-feira” e ainda “postou uma segunda mensagem bizarra em que ele se perguntou: “O que é uma chuva dourada?” (leia mais no Brasil 247). A pergunta feita por Bolsonaro está ao ato de urinar no parceiro ou receber jatos de urina do parceiro durante a atividade sexual. Foi com um vídeo do gênero que Bolsonaro tentou atacar a maior festa popular do país.

Leia a íntegra da reportagem do The Guardian sobre o assunto.

MÍRIAM LEITÃO: MILITARES ACEITARÃO SER BUCHA DE CANHÃO DO BOLSONARISMO?

Brasil 247 – Em sua coluna no jornal O Globo intitulada “A questão militar no atual governo”, a jornalista Míriam Leitão diz que “o risco é [os militares] virarem bucha de canhão nas guerras que interessam apenas ao bolsonarismo”.

“Esta simbiose com o governo Bolsonaro é o movimento mais arriscado feito nos últimos tempos pelas Forças Armadas. Elas estão emprestando seu prestígio a um governo cheio de controvérsias e conflituoso”, afirma.

Segundo a colunista, “o governo Bolsonaro é resultado de uma mistura eclética. Há o ultraconservadorismo dos costumes, que não tem necessariamente correspondência com os valores da instituição, nem é conveniente estar ligado à imagem das Forças. Até porque é um conservadorismo farisaico, que gosta de proclamar-se, mas não viver sob aqueles ditames”.

“Que relação tem alguém que diz, como Bolsonaro, que usava o auxílio-moradia para ‘comer gente’ com a defesa da família tradicional? A interferência da religião em decisões de Estado também não tem conexão com os valores laicos das Forças Armadas. Nelas, integrantes de várias denominações convivem”, acrescenta.

Míriam afirma que “a guerrilha digital do bolsonarismo continua atacando os que manifestam qualquer divergência em relação ao governo. Seus líderes, inclusive os filhos do presidente, não entenderam o básico sobre o que é governar. Não lançam pontes, aprofundam as divisões. Não diluem desentendimentos, cultivam rancores. Não cedem, querem a eliminação dos que divergem”.

“O episódio do ataque a Lula, protagonizado pelo deputado Eduardo Bolsonaro, no momento em que o ex-presidente vivia dor profunda, é uma demonstração do problema. Essa cultura do conflito não faz bem à imagem das Forças Armadas, que precisam ser vistas como instituições de todo o país, e não de uma facção política e ideológica”, continua.

“Há também os casos de corrupção que começaram precocemente a aparecer no novo governo. Movimentações bancárias suspeitas e candidaturas-laranja. Tudo próximo ao centro do novo governo. Isso constrange qualquer sócio do poder que defenda com sinceridade o combate à corrupção”, complementa.