Fernando Brito – Tijolaço

Ao contrário do que disse Jair Bolsonaro, há 20 dias, o vírus Covid-19 não “está indo embora”.

O mundo teve sábado o terceiro maior número de casos de novas infecções: 95 mil em 24 horas.

Nos Estados Unidos, o inequívoco centro da epidemia, hoje, foi o segundo pior dia em novas detecção de infecções: 36 mil em 24 horas.

É para aí que estamos indo, não se iluda.

Todas as projeções de modelos matemáticos esticam até setembro ou outubro a situação de gravidade de uma curva que está subindo, não estabilizada para permitir que não seja irresponsável qualquer discussão e muito menos apelos para o alívio do isolamento social.

Não é possível que se tenha condescendência com quem, aqui e lá fora, defende a “reabertura de tudo”para ganhar trocados em meio a um crise que não se reverterá por isso.

Querendo ou não os governantes, vão ter de se tornar mais rígidas as medidas de restrição, porque contaminação e morte vão crescer.

Não é hora de mentiras que, em lugar de serem piedosas, são mentirosas, porque defendem o ganho de alguns trocados – porque nem sequer serão suficientes para elevar a economia a um estado vegetativo – em lugar de defender a vida humana.

O espaço e a atenção que tenho não são para isso.

Servem para que se diga a verdade, para que se converse como o que somos: adultos, pais, mães, avós.

Ontem, recebi a notícia da internação de Hésio Cordeiro, junto com Sérgio Arouca e de uma geração de sanitaristas brasileiros, um dos pais do SUS. Hoje, a notícia da internação de um bom amigo, jornalista, filha pequena a precisar-lhe de pai. E antes, outros, amigos, conhecidos, amigos de amigos.

A doença e a morte agora têm caras e nomes.

Os responsáveis por serem tantas também precisam ter.