Brasil 247 – Embora seus procuradores neguem, a Operação Lava Jato quebrou o setor de engenharia brasileiro com sua estratégia de punir não os responsáveis dentro de cada companhia envolvidos em esquemas de corrupção, mas as empresas como um todo. Reportagem publicada na edição de sábado do jornal O Globo aponta que muitas delas mergulharam numa crise sem previsão de saída.

As construtoras são alvo de multas bilionárias impostas por acordos de leniência, no âmbito da Operação, dívidas extremamente elevadas e ainda um brusco encolhimento das carteiras de projetos, que dificultam a melhoria da situação até mesmo a longo prazo. Por serem as principais empreiteiras do País, as obras ficam prejudicadas e paralisadas, sem ter outras empresas para assumir o comando, afetando ainda os empregos.

Odebrecht e Andrade Gutierrez, por exemplo, negociam com bancos a contratação de novos empréstimos para arcar com compromissos milionários que estão para vencer este mês. A UTC está em atraso com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em um dos acordos que fechou, enquanto a OAS tem atrasado o salário de seus funcionários.

Maior construtora do País, a Odebrecht viu sua carteira de projetos cair de US$ 34 bilhões, em 2014, início da Lava-Jato, para cerca de US$ 16 bilhões. Enquanto isso, as dívidas prosseguem. Uma parcela de R$ 500 milhões, referente à emissão de títulos no exterior tem de ser paga até o dia 30, e outros R$ 400 milhões vencem ao longo do ano. Paralelamente, a empresa tem de começar a honrar o acordo de leniência, cuja multa, de R$ 8,5 bilhões, será paga no prazo de 22 anos.

Outra que tem a situação delicada é a Mendes Júnior. Quase dois anos após pedir recuperação judicial, a empresa não chegou a um acordo com seus 3.371 credores sobre como a dívida de R$ 360 milhões será paga. E se não for encontrada uma solução na assembleia marcada para a próxima segunda-feira, dia 16, pode ser decretada a falência da companhia, de acordo com a administradora judicial, a advogada Maria Celeste Morais Guimarães.