DCM – A Coluna de Jânio de Freitas na Folha de S. Paulo fala sobre o descaso das autoridades em relação ao desastre de Brumadinho. “A par das causas físicas e empresariais, a Procuradoria-Geral da República, os Ministérios Públicos federal e de Minas e o Judiciário destacam-se entre os responsáveis pela segunda tragédia causada por ruptura de barragem.

Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes. E à prevenção devida aos habitantes, seus bens e áreas produtivas atingíveis por possível ruptura – caso óbvio de Brumadinho”.

O jornalista ressalta que não se procurou realizar tarefas mínimas de gestão de riscos. “Por exemplo, para que todas as empresas administradoras de barragens fizessem, em seguida ao desastre de Mariana, inspeções e laudos formais em prazo determinado”.

E finaliza o raciocínio em relação ao desastre de Brumadinho. “Talvez evitassem em Brumadinho o desaparecimento de tantas pessoas, colhidas na ingenuidade perversa do perigo. E por certo o fariam em outras barragens também deixadas ao seu potencial ameaçador. Já sabemos como aqueles poderes procederão outra vez”.

Em outro trecho da Coluna, Jânio de Freitas comenta a ascensão sob a ótica dos militares. “Excluído do Exército, sob ponderações no Superior Tribunal Militar que puseram em dúvida até seu equilíbrio mental, Bolsonaro ficou à distância de sua classe por muito tempo. Embora refletindo-a nas opiniões e, proveito também eleitoral, nas reivindicações”.

“A perspectiva da candidatura à Presidência mudou sua relação com o passado. Por utilitarismo, sem dúvida, Bolsonaro empenhou-se em ser dado como capitão, representante legítimo de todas as idiossincrasias e da radicalidade conservadora, anticultural e patrioteira da caserna. O candidato identificado com as Forças Armadas”.

Conta que os comandos do Exército pagaram pra ver no que ia dar.

“Os da reserva, categoria em que as pretensões de superioridade e os sectarismos podem se mostrar mais, regozijaram-se com a atitude de Bolsonaro. O então comandante do Exército, general Villas Bôas, que se reconhecera como um dos preocupados, formalizou a aceitação do risco, aparentando dá-lo por extinto”.

E pondera que a apreensão está dando o tom neste início de gestão.

“Em duas semanas após a posse, a preocupação voltou a muitos. Pelo avesso, porém. Como preocupação com a possibilidade de identificação, aos olhares internos e sobretudo externos, dos militares e seus generais com Bolsonaro, suas ideias irrealistas e o círculo familiar-religioso insustentável”.

“Desde a terceira semana, o lento desenrolar do caso Flávio Bolsonaro e seus tentáculos até o próprio Bolsonaro tiveram a contribuição do vexame no Fórum Econômico Mundial para agravar o estado de coisas”.

(…)

Jânio de Freitas finaliza. “Admitidas exceções, entre os generais do governo militarizado e Jair Bolsonaro o ar já não é o mesmo”.

“Apesar do esforço, a poluição é perceptível. Ainda não se conhece poluição que não deixe consequências”.