O Ministério das Relações Exteriores advertiu nesta quinta-feira contra a “quebra da ordem democrática” no Paraguai, mencionando a “inteira convergência” entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente paraguaio Mario Abdo Benítez , que está sob ameaça de impeachment por causa de um acordo com o Brasil no qual admitiu aumentar o preço pago pelos paraguaios pela energia da hidrelétrica binacional de Itaipu. As informações são d’O Globo.

“Ao reiterar total respeito ao processo constitucional do Paraguai, o Brasil confia em que o processo seja conduzido sem quebra da ordem democrática, em respeito aos compromissos assumidos pelo Paraguai no âmbito da cláusula democrática do Mercosul — Protocolo de Ushuaia”, diz o comunicado divulgado pelo Itamaraty, sugerindo que o país vizinho pode ser suspenso do bloco se o impeachment ocorrer.

Na nota, o governo brasileiro ressalta o “excelente” relacionamento entre os presidentes e a “inteira convergência de valores” que se verifica hoje entre os países vizinhos. Segundo a Chancelaria, tal relação é sem precedentes e se deve à “coincidência de visões estratégicas” entre os dois líderes na “promoção da democracia na região e à proteção dos direitos da família”.

“O Brasil espera que essa cooperação com o presidente Mario Abdo possa prosseguir, o que permitirá a plena implementação das iniciativas em curso e a consecução de novos avanços, inclusive no que tange à implementação, em benefício mútuo, dos compromissos dos dois países ao amparo do Tratado de Itaipu”, afirma o ministério.

Segundo o Itamaraty , o governo brasileiro “está convencido” de que o líder do Paraguai, ameaçado de impeachment, tem “todas as condições” para continuar a governar. A continuidade do mandato de Abdo foi posta em xeque no início desta semana, após a grave crise política desencadeada pela revelação do conteúdo da ata diplomática sobre Itaipu  assinada em maio por representantes dos dois países em Brasília, e que foi qualificada no Paraguai de “traição à pátria”.

Na quarta-feira à noite, a oposição paraguaia anunciou que apresentará um pedido de impeachment contra Mario Abdo e o vice-presidente Hugo Velázquez. Efraín Alegre, presidente do Partido Liberal, a principal sigla de oposição no país, disse que os parlamentares vão preparar a documentação para o processo e que serão necessárias novas eleições.

Em 2012, o  então presidente de esquerda Fernando Lugo foi afastado por um processo de impeachment que durou apenas 36 horas, após 17 pessoas morrerem durante uma operação de desocupação de uma área próxima à fronteira com o Brasil. Na ocasião, ele também foi acusado de nepotismo, má gestão das Forças Armadas e de ser brando no combate à violência.

Em resposta ao afastamento, os países-membros do Mercosul, liderados pela então presidente brasileira Dilma Rousseff, decidiram afastar o Paraguai do bloco e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) até que novas eleições presidenciais fossem realizadas, no ano seguinte.

……………………………….

NR – Os golpistas que derrubaram Fernando Lugo agora enfrentam a mesma moeda: podem ser varridos do poder, mas desta vez pela população que considera traição o acordo firmado com o Brasil pelo atual presidente.

O Brasil sempre desempenhou papel imperialista em relação ao nosso vizinho. Durante a revolução comandada pelo coronel Lino Oviedo, FHC – ou as Forças Armadas – enviou um avião para buscar do ditador Alfredo Stroessner, impedindo que ele fosse julgadono país, garantido a ele uma aposentadoria segura onde morreu de velhice em Brasília. Uma retribuição aos serviços sujos prestados à ditadura militar brasileira pelo torturador corrupto.