Fernando Frazão/Agência Brasil

O Exército é o fiel da balança?

Por Israel Aparecido Gonçalves*

O país vive uma guerra discursiva entre o Presidente da República e outras instituições de relevância democrática, a exemplo do Supremo Tribunal Federal e o mapa desse conflito demonstra que Bolsonaro está perdendo espaço político.

Ao lado do Presidente, de forma serviçal, encontra-se o Exército.

Mas por quê?

Primeiramente deve-se lembrar que o Exército brasileiro tem a missão de defender as nossas fronteiras, em especial a terrestre.

Por fazer fronteira com quase todos os países da América do Sul, o nosso país pode ficar vulnerável ao tráfico de drogas, de animais, de armas e de imigrantes ilegais.

O Exército ainda não conseguiu garantir total segurança a nossas divisas, talvez por falta de soldados, de dinheiro ou de estratégias.

Ao Exército também é permitido assumir a função de Garantidor da Lei e da Ordem (GLO) interna como, por exemplo, as intervenções do Exército no Rio de Janeiro.

A propósito, as empreitadas da Instituição na cidade “maravilhosa” em nada reduziram os atos de violência naquele município.

Entende-se que o problema da violência carioca não foi e nem será resolvido por Forças Armadas.

Diante dessas constatações, é notório que o Exército não consegue garantir a segurança das fronteiras e nem da ordem interna, ou seja, mostra-se duplamente incompetente.

Mesmo não conseguindo efetivar seus compromissos constitucionais — de zelar pelas fronteiras e pela ordem pública — o Exército aderiu politicamente ao governo Bolsonaro.

Militares saíram dos seus clubes e da reserva para ocuparem um espaço central no governo federal.

Observam-se muitos deles em ministérios e nos bastidores dos palácios em Brasília.

Bolsonaro tem, pois, mais militares no governo do que o regime político venezuelano.

Militares treinados para a guerra, mas inaptos para a política.

Um exemplo desta inabilidade militar na governança é o ministro da Saúde, que além de não conhecer sobre a Saúde Pública, desconhece a geografia brasileira.

Outro fato mal explicado é militar prestigiando bandeiras estrangeiras como a de Israel e a dos EUA em atos políticos, ou seja, o patriotismo institucional é deixado de lado por causa das ideologias políticas.

Por último, percebe-se que a mistura do fuzil com política é tática oportunista para ajudar amigos da caserna a ganhar salários generosos sem sujar as botinas.

Assim é o Exército o fiel da balança de um governo irresponsável e cuja popularidade cai dia a dia.

Essa Força Armada deixou para uma nota de rodapé seu prestígio institucional e optou por um jogo sujo de um governo que aposta em uma “guerra de palavras”.

Como disse a poeta: “palavras apenas, palavras pequenas, palavras” para um país gigante por natureza.

*Israel Aparecido Gonçalves é autor de quatro livros,Cientista Político e doutorando em Sociologia Econômica (UFSC)