O Radar, da Veja, informa:

Os investigadores que prenderam Ronnie Lessa suspeitam que ele vendia fuzis para facções do tráfico do Rio de Janeiro.

Isso porque as 117 armas apreendidas no dia de sua prisão são de baixa qualidade. Lessa também falsificava certificações de qualidade, como o registro da marinha americana que imprimiu nestes fuzis.

Outro indício é o fato das milícias preferirem o AK-47, no lugar do fuzil AR-15.

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Fatos que ligam a morte de Marielle e Anderson e a milícia do Rio de Janeiro aos Bolsonaros

Em 2003, Jair Bolsonaro, então deputado, usou os microfones da Câmara para defender grupos de extermínio. A fala foi uma resposta a um deputado baiano que assumira a existência de esquadrões no estado. Na ocasião, Bolsonaro disse que como no Brasil não tem pena de morte, esses grupos são úteis e teriam seu apoio.

Em 2011, na época do assassinato da juíza Patrícia Acioli por milicianos, Flávio Bolsonaro usou seu perfil no Twitter para difamar a magistrada, que segundo ele “humilhava” os réus, e com isso “deve ter criado muitos desafetos”.

O apreço de Flávio aos grupos paramilitares já era conhecido. Em 2007 o deputado defendeu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que as milícias fossem reconhecidas legalmente como segurança das comunidades. Em 2015, foi o único deputado a votar contra a abertura de uma CPI para apurar crimes cometidos por policiais.

O mesmo barulho não foi feito pelos Bolsonaros quando a notícia da morte de Marielle e Anderson irrompeu o noticiário, repercutindo internacionalmente e levando milhares de pessoas às ruas. Jair Bolsonaro foi o único pré-candidato à presidência a não prestar condolências.

Mas talvez o gesto mais simbólico sobre a morte da vereadora e seu motorista pouco tenha a ver com indiferença, que a família presidencial, reiteradamente, tenta transmitir.

Durante a campanha presidencial de 2018, dois candidatos do PSL, partido dos Bolsonaros, rasgaram ao meio uma placa de rua com o nome de Marielle, colocada no Centro do Rio em homenagem à vereadora morta. Um deles, Rodrigo Amorim, se elegeu, e emoldurou a placa rachada em seu gabinete. Na época, Flávio Bolsonaro saiu prontamente em defesa da dupla, afirmando que eles “nada mais fizeram do que restaurar a ordem”.

Já neste ano, o caso COAF revelou que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, fez movimentação atípica de 1,233 milhão entre 2016 e 2017. O órgão descobriu que, além do lote milionário, passaram também pela conta corrente do assessor de Flávio 5,8 milhões de reais nos dois exercícios imediatamente anteriores. Agora, um novo relatório aponta que Flávio recebeu 96 mil reais em 50 depósitos fracionados. O deputado alega que o dinheiro vivo é fruto da venda de um imóvel.

No dia 7 de dezembro, um dia depois do jornal O Estado de S. Paulo ter revelado que Fabrício Queiroz tinha movimentado de forma atípica 1,2 milhão entre 2016 e 2017, o ex-motorista tomou um chá de sumiço. A partir dali, surgiu a provocação “cadê o Queiroz?”.

Antes de se internar no hospital Albert Einstein, em 20 de dezembro de 2018, Queiroz se abrigou numa casa na favela de Rio das Pedras, dominada pela milícia.

O incômodo de Flávio Bolsonaro com Marielle salta aos olhos. Mais uma vez, foi o único parlamentar a votar contra a concessão da medalha Tiradentes à vereadora.

Já Carlos Bolsonaro, filho do meio e mais reservado do presidente, não conseguiu esconder seu descontentamento com a escola de samba campeã do Carnaval carioca em 2019. Fazendo o uso habitual das redes sociais, afirmou que a Mangueira tem envolvimento com milícias. A escola homenageou Marielle e outros heróis negligenciados pela história.

Pressionado sobre as relações da família com possíveis executores de Marielle e Anderson, Eduardo Bolsonaro, que até agora não tinha se somado à lista, afirmou: “Ninguém conhecia quem era Marielle Franco antes de ela ter sido assassinada.”

Carta Capital