O Brasil reconheceu a senadora opositora Jeanine Áñez como presidente da Bolívia, pouco menos de uma hora após a parlamentar se autoproclamar presidente em uma sessão esvaziada do Parlamento boliviano.

Plantão Brasil – O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, falou a repórteres ao chegar a um jantar com representantes do Brics, que se encontram nesta quarta e nesta quinta-feira em Brasília.

“Nossa percepção é que a Constituição boliviana está sendo seguida, interinamente claro, acho que é importante o compromisso de convocar eleições. Então nossa primeira percepção é que está sendo cumprido o rito constitucional boliviano, e queremos que isso contribua para pacificação, normalização no país”, disse ele.

Perguntado se o Brasil a reconhece como presidente, ele respondeu: “É, por tudo que eu estou informado sim. Nosso entendimento é que todos os ritos estão sendo cumpridos. Portanto, ela assume legalmente”, disse ele.

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Senadora-presidenta da Bolívia foi acusada de ligação com tráfico após sobrinho ser preso com 480 kg de cocaína no Brasil

DCM – A senadora boliviana, Jeanine Áñez, se declarou presidente do país em uma sessão legislativa sem quórum e sem a presença de representantes do Movimento ao Socialismo, de Evo Morales.

Jeanine entrou no palácio do governo aos gritos, carregando uma Bíblia gigante, numa cama patética.

Ela recebeu a tarefa de convocar novas eleições em um prazo de 90 dias, mas nada garante que o fará.

Aos 52 anos, evangélica de ocasião, Jeanine nasceu em Trinidad, no departamento de Beni.

Em 2010, foi eleita para o Senado pelo partido Plano Progresso para a Bolívia – Convergência Nacional (PPB-CN).

Na última eleição de 2015, participou da sigla Unidad Demócrata.

Acusou Morales de querer ‘perpetuar-se no poder’.

É acusada de ligação com o narcotráfico internacional.

Em 16 de outubro de 2017, os traficantes Fabio Adhemar Andrade Lima Lobo e Carlos Andrés Añez Dorado foram presos no Mato Grosso.

Estavam com 480 quilos de pasta-base de cocaína.

Fabio Lobo é filho de um ex-membro do Cartel de Cali e Carlos é sobrinho de Jeanine.

“Neste caso, estamos falando de um vínculo familiar com uma pessoa de importante atividade política”, afirmou o então ministro boliviano Carlos Romero na ocasião.

“Ministro Romero, você é responsável pelo crescimento do narcotráfico no país, meu sobrinho por suas ações e eu pelas minhas. Não seja mau”, respondeu ela no Twitter.

 

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Forças leais a Evo dão 48 horas para líder golpista deixar La Paz

Com rostos tapados, membros de grupos paramilitares que tentam tomar o poder prenderam a presidenta e o vice-presidente do TSE neste domingo (10)

Revista Forum

Com a consumação do golpe na Bolívia neste domingo (10), depois das Forças Armadas e da Defensoria Pública mandarem Evo Morales renunciar à presidência, movimentos sociais que defendem o governo do ex-líder sindical boliviano estabeleceram um prazo de 48 horas para que o líder das extrema-direita Luis Fernando Camacho e demais golpistas se retirem de La Paz, capital do país.

O anúncio veio por parte da Federação de Juntas Vecinales de El Alto, espécie de comitê popular da cidade, que pede a saída do país dos golpistas. O grupo instrue, ainda, a formação de comitês de autodefesa, bloqueios e mobilização permanente, também convocando a polícia boliviana a fortalecer a luta popular. Caso os paramilitares não reajam aos pedidos da oposição, Bolívia pode ir à Guerra Civil.

Um dos comandantes do golpe de Estado promovido contra Evo Morales, Camacho invadiu o Palácio de Governo da Bolívia pouco antes de a renúncia do presidente Evo Morales munido de uma Bíblia e uma bandeira do país. O líder da oposição comandou a ala mais violenta das manifestações que resultaram na queda de Morales e tinha o apoio do Itamaraty, comandado pelo olavista Ernesto Araújo.

Pouco antes de Morales oficializar sua saída do posto, uma série de lideranças do MAS, partido oficialista, apresentaram renúncia. Governadores, deputados, senadores, ministros e a presidenta do Tribunal Supremo Eleitoral deixaram seus postos em meio ao avanço da violência dos golpistas, que queimaram casas e perseguiram parentes dos moralistas. Ainda, com rostos tapados, membros de grupos paramilitares prenderam a presidenta e o vice-presidente do TSE.