O clima na Rede Globo não anda nada bom – e não é só por culpa do Intercept e dos vazamentos que indicam a sua “parceria” com os capangas da Lava-Jato. O problema é que o império global segue afundando na crise – demitindo profissionais, arrochando salários, cortando programas e promovendo outros “ajustes”, aponta o colunista Altamiro Borges

O clima na Rede Globo não anda nada bom – e não é só por culpa do Intercept e dos vazamentos que indicam a sua “parceria” com os capangas da Lava-Jato. O problema é que o império global segue afundando na crise – demitindo profissionais, arrochando salários, cortando programas e promovendo outros “ajustes”. Ainda há dúvidas sobre as causas da agonia – se ela decorre da explosão da internet, da recessão econômica, da perda de credibilidade de seus produtos ou da incompetência gerencial dos três filhotes de Roberto Marinho. Mas não há mais dúvidas sobre a gravidade da crise – que aparece em inúmeras notinhas no noticiário especializado.

Ricardo Feltrin postou no UOL: “Alguns repórteres e âncoras do Departamento de Jornalismo da Globo, com grande experiência, tempo de casa, salários mais altos – e, principalmente, com contratos prestes a vencer – estão sendo consultados sobre a possibilidade de mudança no modelo contratual vigente. Segundo a coluna apurou, a oferta é a seguinte: acabar com contrato de Pessoa Jurídica (modelo da maioria das estrelas da casa) e substituí-lo por contratação via CLT… A proposta está causando enorme tensão, porque a renegociação do modelo contratual implica definitivamente em redução dos valores pagos para o profissional como PJ”.

Já a colunista Keila Jimenez ironizou na rival R7: “Era uma vez um projeto de rádio que contemplava um time de grandes nomes da televisão. Foi assim que a Rádio Globo foi relançada em 2017, com cara nova, forte investimento e a contratação de artistas como Adriane Galisteu, Maju Coutinho e Otaviano Costa e Fernanda Gentil. Pois o projeto está sendo desmanchado. Não decolou nem em audiência, nem comercialmente. É por isso que a Rádio Globo está promovendo demissões e o desligamento de todos esses famosos”.

A mesma Keila Jimenez também revelou em maio que a “Globo vai cortar salários milionários como o de Faustão, Huck e Fátima”. Segundo a nota apocalíptica “a onda agora é cortar, cortar, cortar. Os salários milionários de apresentadores, atores, diretores e autores de novelas estão com os dias contados na Globo. Os que estão passando por renovações de contrato atualmente são os mais afetados. Segundo fontes da emissora, as propostas de renovação chegam com valores fixos mensais entre 20% e 50% menores do que antes. Galvão Bueno é um dos que já teve seus ganhos reduzidos. O narrador chegava a ganhar R$ 2 milhões mensais. Ficou com cerca de metade do valor por mês, R$ 1 milhão”.

“O facão chegará em salários gordos como de Faustão, Ana Maria Braga, Huck, entre outros. Fausto Silva chega a ganhar R$ 5 milhões por mês. Em segundo lugar, Fátima Bernardes fica empatada com Aguinaldo Silva. Os dois ganham R$ 2 milhões. Logo atrás está Ana Maria Braga, com R$ 1,7 milhão. Huck tira cerca de R$ 1 milhão por mês. Autores de novela mais antigos, como Aguinaldo Silva e Walcyr Carrasco, também terão propostas para redução de ganhos fixos mensais. Entre os atores, os cortes são menores, mas existem. Medalhões como Tony Ramos e Fagundes chegam a ganhar R$ 120 mil por mês quando estão no ar em uma novela. A renovação desses contratos também passará por ajustes”.

Ainda de acordo com a colunista, “a proposta de redução já está gerando descontentamento entre as estrelas do canal. Não é à toa que Fausto Silva já vem dando indiretas que o seu ‘Domingão’ pode acabar”. Se entre as celebridades midiáticas o clima é de “descontentamento”, entre os reles mortais que trabalham na Rede Globo a situação é de pânico, de medo.