O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou nesta quinta-feira, 14, que a ‘fundação anticorrupção’ defendida pelo procurador Deltan Dallagnol, que receberia R$ 2,5 bilhões da Petrobrás, tinha como objetivo financiar eleições futuras; “Sabe-se lá o que podem estar fazendo com esse dinheiro”, disse ele durante a sessão em que o STF decide se a competência para julgar crimes comuns conexos a crimes eleitorais é da Justiça Eleitoral ou Federal; “Isto é um modelo ditatorial. Se eles estudaram em Harvard, são uns cretinos, não sabem o que é processo civilizatório”, disparou o ministro

Brasil 247 – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fez nesta quinta-feira, 14, duras críticas aos procuradores da Lava Jato por conta do acordo da Petrobrás com o Departamento de Justiça dos EUA, pelo qual a Petrobrás destinaria R$ 2,5 bilhões a uma fundação comandada pela Lava Jato.

Para Gilmar, a ‘fundação anticorrupção’ tinha como objetivo financiar eleições futuras. “Sabe-se lá o que podem estar fazendo com esse dinheiro”, disse ele durante a sessão em que o STF decide se a competência para julgar crimes comuns conexos a crimes eleitorais é da Justiça Eleitoral ou Federal. Nas investigações da Lava Jato, a maioria dos políticos começou a ser investigada na esfera federal e responde pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2 de campanha.

Em sua fala, Gilmar faz críticas aos integrantes da força-tarefa da Lava Jato. “Combate à corrupção tem que se fazer dentro da lei. Veja essa fundação (acordo com Petrobras): R$2,5 bi apropriados. Seria a fundação mais poderosa do Brasil. É a corrida do ouro”, diz ele.

O ministro disse que o que se trava é uma “disputa de poder”. “Quer constranger, amedrontar. Mas fantasma e assombração aparecem para quem nele acredita. São métodos que não honram as instituições”, disse o ministro. “Isto é um modelo ditatorial. Se eles estudaram em Harvard, são uns cretinos, não sabem o que é processo civilizatório”, disparou.

STF IMPÕE DERROTA À LAVA JATO E ACUSAÇÕES DE CAIXA 2 VÃO PARA JUSTIÇA ELEITORAL

Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quinta-feira 4 ser competência da Justiça Eleitoral julgar crimes comuns – como corrupção e lavagem de dinheiro – conexos com delitos eleitorais; o resultado é a segunda grande derrota em apenas três dias, uma vez que a decisão do STF acontece logo depois de a PGR ter se posicionado contra a fundação bilionária que seria criada pela força-tarefa; ministros manifestaram duras críticas aos procuradores.