Fernando Moraes – Viomundo

Steve Bannon reuniu informalmente a Internacional Fascista em Washington.

Presente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro disseminou uma montagem no twitter com fotos dele ao lado de outras lideranças que chamou de “conservadores/nacionalistas”.

O “nacionalismo” de Bolsonaro vem tomando uma surra de Donald Trump, especialmente na questão comercial.

Ainda assim, o clã Bolsonaro bajula Trump cotidianamente.

“Não estamos sozinhos”, escreveu Eduardo Bolsonaro, referindo-se à presença no banquete de representantes da extrema direita da Espanha, Suécia, Finlândia, Itália, Estônia, Bélgica, Alemanha, República Tcheca, México e França.

Eduardo também publicou uma foto em que aparece entre Steve Bannon e Nigel Farage, líder do Partido Brexit.

A extrema direita está em ascensão eleitoral na Europa, mas não da maneira espetacular como se previa.

Na Espanha e Portugal, por exemplo, há governos de esquerda no poder. Na Alemanha e França, o fascismo foi rejeitado pelos eleitores.

Para o escritor Fernando Morais, um observador arguto da cena eleitoral, no Brasil Jair Bolsonaro, ainda que aos trancos e barrancos, preserva apoio de cerca de um terço do eleitorado por causa da atividade nas redes sociais.

“Nós estamos lutando com um cachorro grande”, disse Morais em entrevista ao Viomundo, concedida bem antes do banquete da extrema direita em Washington.

Morais obviamente se refere a Bannon.

Depois de ajudar a eleger Donald Trump, ele tem se dedicado a promover ideias de extrema direita mundo afora, com apoio de gente endinheirada.

Os donos de grandes corporações, muitas vezes na surdina, querem ver no poder governos que promovam a demolição de direitos sociais necessária ao corte de impostos.

Bannon é quem dá sentido à ofensiva fascista.

Para Fernando Morais, a esquerda precisa utilizar o seu saber para contra-atacar, também nas redes sociais.

Além disso, deve buscar a mesma unidade de ação dos fascistas.

O escritor refere-se ao livro Medo, do repórter Bob Woodward — aquele que denunciou o escândalo de Watergate no diário Washington Post — para narrar o trabalho de Bannon por Trump nos bastidores.

Bannon foi eventualmente chutado do governo, aparentemente por ter tentado atribuir a si próprio um papel mais importante do que realmente teve na campanha. Mas permanece fiel ao ideário de Trump pois disso deriva uma vida boa, de muitas viagens e luxos — bancados pelo dinheiro grosso.

No vídeo acima, Fernando Morais narra um episódio em que Fidel Castro fez um apelo pela unidade referindo-se a três interesses comuns básicos.

É uma anedota, mas vale a pena conferir.